Sempre há algo a ser feito no mundo, incluindo intervir em países que comprovadamente solapam a democracia e promovem o assassínio de seus cidadãos. A forma de intervenção, talvez, deva ser repensada. A militar, como está sendo proposto agora pelos Estados Unidos, em relação ao governo genocida da Síria, deve ser a última, a opção quando já não há escolhas possíveis.
Tudo, desde o início dos conflitos internos sírios, induzia a um fim trágico. Em algum momento, sabia-se, não seria mais possível admitir transgressões tão graves quanto a morte de homens, mulheres e crianças apenas e tão-somente por pertencerem a grupos rivais, que contestam o governo.
O desastre iraquiano e o atoleiro do Afeganistão, certamente, contribuíram para a timidez americana e alimentaram a sensação de impunidade que estimulou o ditador e assassino presidente sírio, Bashar al-Assad. Além, é evidente, do peso em vidas e gastos de uma nova guerra.
Para o bem ou para o mal - e eu acredito que, na maior parte das vezes seja para o bem -, os Estados Unidos, pelo protagonismo, não podem ficar alheios ao que ocorre no restante do mundo. A Segunda Grande Guerra e a divisão ideológica do mundo que sobreveio ao conflito soterraram a doutrina não-intervencionista, além - e também sabemos disso - dos interesses econômicos.
Ditadores criminosos, como Assad, precisam ser lembrados, a todo momento, que não têm imunidade para cometer desatinos. Ignorar matanças, como as que ocorrem sistematicamente na África, por exemplo, é algo intolerável.
É evidente que o papel de interventor caberia à ONU, mas esse organismo internacional vem perdendo credibilidade e força decisória. Que a intervenção seja breve, mas eficiente. E que devolva ao poivo sírio o direito de definir seu presente e orientar o futuro.
sábado, 31 de agosto de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
O atoleiro brasileiro
Se levarmos em consideração o nível dos nossos políticos em geral, não há motivos para espanto com a decisão da Câmara de preservar o mandato do deputado federal Natal Donadon, condenado e trancafiado no presídio da Papuda por formação de quadrilha e desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa de Rondônia. Há algum tempo o Legislativo brasileiro, em todos os níveis, perdeu o respeito da população.
Segundo nos conta O Globo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, lamentou essa decisão, que classificou de "impasse constitucional absurdo", e que poderá se repetir quando, afinal, o julgamento dos quadrilheiros do Mensalão do Governo Lula terminar, definitivamente. Não por acaso, os petistas condenados e seus parceiros, destaque para João Paulo Cunha, ajudaram a liberar o companheiro de 'vicissitudes'.
É assim que grande parte da política e dos política funciona, à base de compromissos escusos, troca de favores deletérios, omissões, envolvimentos espúrios, corrupção. Lamentavelmente, essa parcela vem se mostrando majoritária na nossa vida pública, em detrimento da ala digna dos nossos representantes, que existe, sim, independentemente do matiz ideológico.
Joaquim Barbosa, na declaração feita no Rio, onde estava para receber uma homenagem pela sua postura petica, ressalva a soberania do Congresso, mas adverte - com toda a firmeza - que "ele terá que conviver e lidar com as consequências desse ato". Infelizmente, ao que tudo indica, nenhum dos comparsas do deputado presidiário perderá um minuto sequer de sono.
Dramas de consciência só surgem em seres dotados de caráter, dignidade. Não é o que os nossos representantes nos apresentam.
Assim como é difícil conviver com a ideia de que um dos ministros da nossa mais alta Corte, o ex-funcionário petista Dias Toffoli, não se sentiu impedido de julgar processos envolvendo não a companheirada do partido, mas, sim, um banco ao qual deve uma pequena fortuna e que, graciosamente, decidiu reduzir a taxa de juros cobrada, como nos contam o Estadão e a revista Veja.
Está cada vez mais difícil acordar e não lamentar esse período de trevas vivido pelo Brasil.
Segundo nos conta O Globo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, lamentou essa decisão, que classificou de "impasse constitucional absurdo", e que poderá se repetir quando, afinal, o julgamento dos quadrilheiros do Mensalão do Governo Lula terminar, definitivamente. Não por acaso, os petistas condenados e seus parceiros, destaque para João Paulo Cunha, ajudaram a liberar o companheiro de 'vicissitudes'.
É assim que grande parte da política e dos política funciona, à base de compromissos escusos, troca de favores deletérios, omissões, envolvimentos espúrios, corrupção. Lamentavelmente, essa parcela vem se mostrando majoritária na nossa vida pública, em detrimento da ala digna dos nossos representantes, que existe, sim, independentemente do matiz ideológico.
Joaquim Barbosa, na declaração feita no Rio, onde estava para receber uma homenagem pela sua postura petica, ressalva a soberania do Congresso, mas adverte - com toda a firmeza - que "ele terá que conviver e lidar com as consequências desse ato". Infelizmente, ao que tudo indica, nenhum dos comparsas do deputado presidiário perderá um minuto sequer de sono.
Dramas de consciência só surgem em seres dotados de caráter, dignidade. Não é o que os nossos representantes nos apresentam.
Assim como é difícil conviver com a ideia de que um dos ministros da nossa mais alta Corte, o ex-funcionário petista Dias Toffoli, não se sentiu impedido de julgar processos envolvendo não a companheirada do partido, mas, sim, um banco ao qual deve uma pequena fortuna e que, graciosamente, decidiu reduzir a taxa de juros cobrada, como nos contam o Estadão e a revista Veja.
Está cada vez mais difícil acordar e não lamentar esse período de trevas vivido pelo Brasil.
Histórias de Júlia e Pedro (59)
O 'menino-canguru'
Não chega a ser uma história, completa, de vários parágrafos, mas vale por uma, certamente. O tema é a paixão de Pedro pela mãe, Flávia, que fica cada dia mais apurada. Há alguns dias, o moleque interrompeu um inusitado silêncio e perguntou:
- Mamãe, por que nós não somos cangurus?
- Porque somos humanos, Pedro. Você queria ser um canguru?
- Sim. Para ficar dentro da sua bolsa ...
Não chega a ser uma história, completa, de vários parágrafos, mas vale por uma, certamente. O tema é a paixão de Pedro pela mãe, Flávia, que fica cada dia mais apurada. Há alguns dias, o moleque interrompeu um inusitado silêncio e perguntou:
- Mamãe, por que nós não somos cangurus?
- Porque somos humanos, Pedro. Você queria ser um canguru?
- Sim. Para ficar dentro da sua bolsa ...
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Em má companhia
O ministro Marco Aurélio Melo, na sua volúpia pelo protagonismo e por marcar suas diferenças com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, aproximou-se perigosamente de dois advogados da causa dos bandoleiros petistas, os também ministros e seus colegas Ricardo Lewandoweski e Dias Toffoli. Tem sido assim, especialmente nessa fase de apreciação de recursos. Hoje, mais uma vez, estava ao lado da dupla companheira, na análise da tentativa do ex-ministro José Dirceu de evitar a cadeia.
Não houve jeito. Para alívio da parcela decente da população brasileira, o plenário do Supremo manteve a condenação e novamente isolou o trio, obrigado a ouvir a explosão de revolta do decano da Corte, Celso de Mello, que voltou a externar seu repúdio aos que participaram do lastimável episódio do Mensalão do Governo Lula, o mais expressivo assalto institucional aos cofres públicos do País.
Segundo Celso de Mello, o STF não estava "a impregnar a atividade política, mas a punir aqueles que, como o ora embargante, não conseguiram fazê-lo com integridade e honestidade". Não poderia ter sido mais objetivo. José Dirceu e seus asseclas agiram com desonestidade. E, por isso, merecem ir para a cadeia.
Não houve jeito. Para alívio da parcela decente da população brasileira, o plenário do Supremo manteve a condenação e novamente isolou o trio, obrigado a ouvir a explosão de revolta do decano da Corte, Celso de Mello, que voltou a externar seu repúdio aos que participaram do lastimável episódio do Mensalão do Governo Lula, o mais expressivo assalto institucional aos cofres públicos do País.
Segundo Celso de Mello, o STF não estava "a impregnar a atividade política, mas a punir aqueles que, como o ora embargante, não conseguiram fazê-lo com integridade e honestidade". Não poderia ter sido mais objetivo. José Dirceu e seus asseclas agiram com desonestidade. E, por isso, merecem ir para a cadeia.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Diplomacia bananeira
Nosso país anda mal, muito mal, mesmo. No plano interno, a lei e a ordem há muito tempo deixaram de ser relevantes. A economia passa por momentos desastrosos, fruto da incompetência de uma administradora lastimável. No campo das relações exteriores, passamos a nos alinhar, há algum tempo, com o que há de pior no mundo, destaque para Irã, Cuba, Venezuela e um par de ditadores africanos.
Algumas recentes atitudes governamentais expuseram o nível do nosso declínio moral como nação democrática. Ao mesmo tempo em que estimulamos as agressões à blogueira cubana Yoani Sánchez, aceitamos calorosamente a presença do terrorista e assassino italiano Cesare Battisti. Expurgamos o Paraguai do Mercosul e lideramos a entronização da Venezuela, que jamais atendeu às cláusulas democráticas.
Tratamos a Colômbia com reservas, mas apoiamos entusiasticamente os governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina, legítimos representantes da falta de respeito com as práticas democráticas, amantes da censura, inimigos da liberdade de imprensa.
Pois agora, quando ensaiamos a única atitude corajosa e digna da nossa politica externa (garantir a incolumidade de um senador boliviano perseguido pelo governo), o mundo desabou sobre o Itamaraty, soterrando o agora ex-ministro Antônio Patriota. Essa é a lógica deletéria da turma do poder, que não contava com a reação categórica do diplomata Eduardo Saboia à condenação oficial à sua decisão de coordenar a fuga do político boliviano que estava abrigado na Embaixada Brasileira em La Paz.
Imagino os esgares palacianos ao assistir à pronta resposta de Saboia, que não se deixou intimidar, como aqueles ministros que tremem de medo e choram quando repreendidos pela presidente Dilma Rousseff. Sobrou para Antonio Patriota, substituído pelo representante brasileiro da Organização das Nações Unidas, Luiz Figueiredo. A julgar pelas posições defendidas pelo Brasil, na sua luta obsessiva por um lugar de destaque no plano internacional, não devemos esperar muita coisa do novo chanceler.
Algumas recentes atitudes governamentais expuseram o nível do nosso declínio moral como nação democrática. Ao mesmo tempo em que estimulamos as agressões à blogueira cubana Yoani Sánchez, aceitamos calorosamente a presença do terrorista e assassino italiano Cesare Battisti. Expurgamos o Paraguai do Mercosul e lideramos a entronização da Venezuela, que jamais atendeu às cláusulas democráticas.
Tratamos a Colômbia com reservas, mas apoiamos entusiasticamente os governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina, legítimos representantes da falta de respeito com as práticas democráticas, amantes da censura, inimigos da liberdade de imprensa.
Pois agora, quando ensaiamos a única atitude corajosa e digna da nossa politica externa (garantir a incolumidade de um senador boliviano perseguido pelo governo), o mundo desabou sobre o Itamaraty, soterrando o agora ex-ministro Antônio Patriota. Essa é a lógica deletéria da turma do poder, que não contava com a reação categórica do diplomata Eduardo Saboia à condenação oficial à sua decisão de coordenar a fuga do político boliviano que estava abrigado na Embaixada Brasileira em La Paz.
Imagino os esgares palacianos ao assistir à pronta resposta de Saboia, que não se deixou intimidar, como aqueles ministros que tremem de medo e choram quando repreendidos pela presidente Dilma Rousseff. Sobrou para Antonio Patriota, substituído pelo representante brasileiro da Organização das Nações Unidas, Luiz Figueiredo. A julgar pelas posições defendidas pelo Brasil, na sua luta obsessiva por um lugar de destaque no plano internacional, não devemos esperar muita coisa do novo chanceler.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
A caminho da prisão
Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT que tentou assumir toda a responsabilidade pela ladroagem no episódio do mensalão do Governo Lula, talvez esteja arrependido. Ele e seus comparsas apostaram na prevalência da tese do tal 'caixa 2', um crimezinho vagabundo que acarretaria - quem sabe? - apenas num singelo puxão de orelhas. Afinal, "todos" usariam esse artifício, segundo a versão do partido, na ânsia de nivelar por baixo o tamanho do assalto.
A vigarice retórica não colou. Condenado à cadeia, na primeira fase do julgamento, o sofrível ex-dirigente petista viu, hoje, suas esperanças de escapar das grades ruírem. O Supremo Tribunal Federal manteve sua punição. Delúbio não contou, sequer, com a solidariedade dos dois representantes oficiais do seu partido no Tribunal, os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, mais preocupados com o futuro que de membros mais categorizados..
Réu confesso - acreditou nos seus mentores ideológicos -, não havia escapatória. Como "negar o que não há para negar". Até mesmo o argumento do início da pilantragem, que poderia acarretar em uma revisão da pena, foi ignorado. Prevaleceu o entendimento anterior. Delúbio vai para a cadeia, mesmo, caminho que deve ser trilhado por seus parceiros no crime, o ex-ministro José Dirceu e o ainda e inexplicavelmente deputado federal José Genoíno.
A turma dos bancos e da agência publicitária também já deve estar separando escovas de dente para enfrentar os rigores da prisão. A lamentar, a ausência de outros notáveis, que escaparam por falta de provas materiais e uma evidente e lamentável concertação política.
A vigarice retórica não colou. Condenado à cadeia, na primeira fase do julgamento, o sofrível ex-dirigente petista viu, hoje, suas esperanças de escapar das grades ruírem. O Supremo Tribunal Federal manteve sua punição. Delúbio não contou, sequer, com a solidariedade dos dois representantes oficiais do seu partido no Tribunal, os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, mais preocupados com o futuro que de membros mais categorizados..
Réu confesso - acreditou nos seus mentores ideológicos -, não havia escapatória. Como "negar o que não há para negar". Até mesmo o argumento do início da pilantragem, que poderia acarretar em uma revisão da pena, foi ignorado. Prevaleceu o entendimento anterior. Delúbio vai para a cadeia, mesmo, caminho que deve ser trilhado por seus parceiros no crime, o ex-ministro José Dirceu e o ainda e inexplicavelmente deputado federal José Genoíno.
A turma dos bancos e da agência publicitária também já deve estar separando escovas de dente para enfrentar os rigores da prisão. A lamentar, a ausência de outros notáveis, que escaparam por falta de provas materiais e uma evidente e lamentável concertação política.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Um governo sem limites
Não achei graça alguma na suposta brincadeira do ministro da Educação, Aloísio Mercadante, sobre a contratação de professores estrangeiros para suprir a dramática falta de profissionais, destacada pela Folha. Falando a deputados, em audiência na Câmara, o ministro anunciou um etéreo programa semelhante ao 'mais médicos', e tentou ser engraçadinho ao fazer uma alusão aos cubanos que estão para desembarcar por aqui.
É claro que seria algo absolutamente inadmissível, mas a contratação de médicos estrangeiros, como está se dando, também era inaceitável e está acontecendo. Nessa era que começou há dez anos e oito meses, tudo é possível, por mais estapafúrdio que pareça. O caso dos agentes cubanos que serão espalhados pelo interior do país é o exemplo mais óbvio de que não há limites para a desfaçatez oficial.
Assim, eu me permito imaginar que, se não houver uma grita retumbante, a turma de Brasília pode pensar, sim, em trazer mestres cubanos e venezuelanos para doutrinar nossos estudantes, sob o pretexto de atender à demanda em regiões menos favorecidas.
Nossa presidente, ao afirmar, no início do ano, que vale tudo em período eleitoral, deixou bem clara a filosofia oficial. Para ganhar eleição, não há limites de decência. O Mensalão do Governo Lula foi uma demonstração explícita do respeito que os atuais detentores do poder têm pelas instituições.
É claro que seria algo absolutamente inadmissível, mas a contratação de médicos estrangeiros, como está se dando, também era inaceitável e está acontecendo. Nessa era que começou há dez anos e oito meses, tudo é possível, por mais estapafúrdio que pareça. O caso dos agentes cubanos que serão espalhados pelo interior do país é o exemplo mais óbvio de que não há limites para a desfaçatez oficial.
Assim, eu me permito imaginar que, se não houver uma grita retumbante, a turma de Brasília pode pensar, sim, em trazer mestres cubanos e venezuelanos para doutrinar nossos estudantes, sob o pretexto de atender à demanda em regiões menos favorecidas.
Nossa presidente, ao afirmar, no início do ano, que vale tudo em período eleitoral, deixou bem clara a filosofia oficial. Para ganhar eleição, não há limites de decência. O Mensalão do Governo Lula foi uma demonstração explícita do respeito que os atuais detentores do poder têm pelas instituições.
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