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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (13)



Nas estradas, há cores, além do vermelho do barro


Um roteiro simplificado para a aventura

      Se mais nada houvesse, bastariam as montanhas e serras avistadas no horizonte para justificar um mergulho no Jalapão, esse paraíso ecológico encravado no estrado de Tocantins. Mas há muito mais:
     Artesanato com capim dourado - As peças (brincos, colares, pulseiras, bolsas, chapéus etc etc etc) estão por toda a parte. Os preços são sugeridos pela associação de artesãos.

Cachoeira da Fumaça

     Cachoeira da Fumaça - Formada pelo Rio Balsas, a 90 quilômetros de Ponte Alta, na estradaRio da Conceição. É sensacional.

Rio Soninho

     Passagem do Soninho - Um trecho do Rio Soninho perfeito para o banho. A 65 quilômetros de Ponte Alta, na estrada para Rio da Conceição.

Lajeado


     Cachoeira do Lajeado - Um trecho de 50 metros composto por degraus formando várias quedas. O acesso fica a 32 quilômetros de Ponte Alta, a caminho de Mateiros.
     Cachoeira do Rio Formiga - Águas esverdeadas e transparentes, perfeitas para um banho. O acesso é pela estrada para São Félix do Jalapão, a partir de Mateiros..
     Cachoeira da Velha - Tem cerca de 25 metros de altura, e quedas em forma de ferradura. Fica a 90 quilômetros de Ponte Alta, a caminho de Mateiros.
     Dunas - Incríveis formações de areia alaranjada, no km 136 da estrada para Mateiros.
     Gruta de Suçuapara - Localizada na altura do km 13 da estrada para Mateiros.
     Fervedouro - Um olho d'água azul que borbulha da areia do fundo, formando uma piscina natural. Tem-se a sensação de flutuar em suas águas. Estrada para São Félix do Jalapão, pouco depois de Mateiros.  Há outro fervedouro, em São Félix.
     Mirante - Uma escalada de 50 minutos leva ao topo da onipresente Serra do Espírito Santo, de onde se tem uma vista incrível de toda a área.

Praia do Araçá

     Praia do Araçá - Formada pelo Rio Balsas, a 50 quilômetros de Ponte Alta, na estrada para Natividade.
     Rafting no Rio Novo - Para conhecer bem o Rio Novo o ideal é fazer o rafting de quatro dias. O passeio começa na altura da Ponte do Rio Novo, onde as águas são bem calmas.
     (*) Muitras atrações ficam em áreas particulares, embora no Parque Nacional do Jalapão. Seus proprietários cobram uma taxa dos visitantes. 
  
Como chegar 


     Quem sai de São Paulo pode seguir pela SP-310 até São José do Rio Preto. Depois, pela BR-153 até Goiânia. De lá, pela BR-060 até Anápolis e de novo a BR-153, no sentido de Palmas. Não é preciso chegar a Palmas (mas nada impede que se conheça a capital do Tocantins). Antes, na altura de Fátima, seguir em direção a Porto Nacional e, de lá, até Ponte Alta do Tocantins. A partir de Ponte Alta, as estradas são de terra e precárias.
     Para quem sai do Rio de Janeiro ou de Belo Horizonte, o caminho mais rápido passa pela BR-040 até Brasília,  GO 118 (sentido de Alto Paraíso de Goiás) e TP 050 (Rodovia Coluna Prestes), na direção de Palmas. Caminho que pode ser feito também pelos paulistas que optarem por passar pelo Rio. Pode-se, entretanto, seguir pela Belém-Brasília: logo após Valparaíso de Goiás, antes da capital federal, seguir no sentido de Gama, até encontrar com a BR-153, nas proximidades de Anápolis.


Onde ficar

Pousada Vereda das Águas

     Durante a viagem, procure programar suas paradas - como fizemos - em uma cidade às margens da estrada. Quase sempre há razoáveis opções de hospedagem. Além disso, é uma chance de conhecer, mesmo que superficialmente, mais um lugar. Na ida, por exemplo, paramos em Três Marias (MG) e Uruaçu (GO). Na volta, uma parada em Alto Paraíso de Goiás e outra em Paraopeba (MG0.
     No Jalapão, as cidades de Ponte Alta do Tocantins, Mateiros e São Félix dispõem de pousadas simples. Em Ponte Alta, o destaque fica com a Pousada Veredas das Águas, ao lado do Rio Ponte Alta. Também é possível acampar, por exemplo, na área da Cachoeira do Formiga, em Mateiros.


Onde comer

     Durante a viagem, as opções quase sempre fazem parte do complexo de um posto de abastecimento. Procure parar em restaurantes que atendem a empresas de ônibus, pois há mais exigência de qualidade. Não deixe passar muito do meio-dia, para não ser obrigado a consumir alimentos 'manuseados' em excesso.
     Para quem sai do Rio, duas indicações gastronômicas: o restaurante Fartura no Fogão,  na altura de Juiz de Fora, logo depois da fábrica da Mercedes-Benz, e o Fogão Goiano, pouco antes de Brasília.
     No Jalapão, pratos simples (mas nem por isso baratos) em restaurantes ou bares também muito simples.


O que levar

     Máquinas fotográfica e filmadora, assim como repelentes (há muitos mosquitos e mutucas, uma espécie de mosca que ataca os banhistas), roupas leves e de banho, calçados confortáveis, protetor solar e cantis. Há agências do Bradesco, do Banco do Brasil e do Itaú em Ponte Alta. Os postos de combustível de Ponte Alta aceitam cartões de crédito. Um lembrete importante:  telefonia celular só para clientes da Oi. Os telefones públicos funcionam bem.

Nas águas do Jalapão (12)


Estradas de terra e vegetação de cerrado: destaques do Jalapão



Décimo dia - Um resumo da aventura

     Nos dois últimos dias da viagem de volta ao Rio, contamos com a conforto das estradas asfaltadas. Mesmo assim, um trecho em especial testou o conforto do modelo EcoSport SW4: a travessia da cidade de Campos Belos, em Goiás. A multiplicidade de buracos - absurda e indesculpável - exigiu quase tanto quando as costelas dos caminhos de terra.
     No Jalapão, mesmo, nos caminhos levam às suas atrações; o veículo pôde mostrar sua versatilidade, mas sofreu. Depois de quase mil quilômetros de terra e cascalho, onde a traseira insistia em ir em direção oposta à da frente,  algumas consequências: a direção, castigada pelo embate com lombadas, desalinhou.
     A vedação também sofreu com as nuvens de poeira vermelha. Em determinados trechos, o pó invadiu a cabine, deixando uma leva camada. Nos atalhos de acesso a determinados pontos, como a Praia do Araçá e a Cachoeira do lajeado, o predomínio era da areia. Afinal, a ciência conta que a região teria sido, há alguns milhões de anos, um vasto oceano.

Estradas desertas: a região tem uma das menores densidades demográficas do país: 0,61 habitante por quilômetro quadrado


     Nesses trechos, o acionamento da tração foi suficiente para superar os desafios. Mesmo nas partes em que os bancos de areia chegavam a cerca de vinte centímetros de altura, a utilitário da Ford passou com facilidade, embora raspando o fundo nas 'navalhas' formadas no meio do caminho.
     Além do conforto - necessidade, na região - da tração 4x4, o EcoSport pôde desfilar outros destaques. O motor foi um deles, tanto nas cidades quanto nas estradas. Nas cidades, ao sair de sinais, a deixava para trás, com muita facilidade, veículos de passeio, alguns com características esportivas. Nas estradas, o conjunto motor transmitiu a segurança necessária às incontáveis ultrapassagens, ambora um tanto beberrão: nossa melhor passagem, no último trecho chegou a 9,5 quilômetros por litro de gasolina.
     E o álcool? Assim como no Rio, em Minas, Brasília, Goiás e Tocantins não vale a pena usar o combustível alternativo. O preço não compensa. Pior para o meio-ambiente, punido pela falta de visão oficial.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (11)

Vegetação queimada: uma constante nas estradas


Nono dia – A desolação das queimadas

     Paraopeba, MG – O trajeto entre Alto Paraíso de Goiás, portal da Chapada dos Veadeiros, e Paraopeba, cidade escalada para o último pernoite dessa incursão absolutamente parcial ao Jalapão, mostrou que, pelo menos, o DNIT cumpriu parte de suas obrigações com o usuário de nossas estradas.  O asfalto está bom e transmite confiança ao motorista, apesar da indesculpável mão dupla em 90 por cento do percurso (os 95 quilômetros entre Felixlândia e Belo Horizonte estão duplicados, ainda bem).
     Já a vegetação que margeia as rodovias mostra o descaso com o ambiente. As marcas das queimadas antigas e recentes estão bem vivas. O Jalapão – um paraíso ecológico  - também não escapou da irresponsabilidade de parte da população, que usa o fogo para `limpar` suas áreas e deixá-las prontas para o plantio.
     O fogo que consome o mato é o mesmo que mata árvores e animais, indiscriminadamente, à vista de todos, sem que haja consequências mais sérias na vida de esses criminosos. Alguns proprietários de terra provocam o fogo para atingir, de fato, os animais que entram em suas plantações, em busca de alimentos, especialmente nessa época seca.
     Em alguns trechos da BR 040, a fumaça provocada pelos incêndios criminosos invadiu a pista, colocando em risco a segurança de todos os que passavam pelo local.
   

domingo, 28 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (10)


A vegetação de cerrado, característica da Chapada


Oitavo dia – As águas da Chapada

     Alto Paraíso de Goiás – A mudança compulsória de projeto (antecipamos o fim da incursão ao Jalapão) nos atirou, hoje, na Chapada dos Veadeiros, uma enorme área repleta de cachoeiras e paisagens únicas, a apenas pouco mais de 200 quilômetros de Brasília.
O Salto 120, um dos mais belos do Parque

     Como só teríamos um dia de liberdade, minha opção foi pelo Parque Estadual, pela simbologia. No Parque, a escolha recaiu na trilha número um, que leva ao Salto 120 (120 metros de queda), e a outras menores, formadas pelo Rio Preto. À nossa equipe, uniram-se dois casais, todos sob o `comando` do guia Carlos.
     Caros. A beleza dos locais é contagiante. Mas a trilha tem nove quilômetros (isso mesmo, nove quilômetros) pedregosos, em aclive e – por óbvio – declive. Foram cerca de quatro horas de caminhada, a maior parte sob o sol.
Um dos melhores locais para banho, no Salto 80

     Ao final, todos – excetuando o guia, acostumado ao local e claramente em forma – estavam extenuados. Uns mais do que os outros (eu era um deles). Mas valeu a pena. Os doze quilômetros de terra e areia que separam o fim do asfalto do povoado de São Jorge não inibiram nosso EcoSport. A preocupação ficou restrita ao risco de uma pedra ser lançada por outro veículo e atingir alguns dos vidros.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (9)

Sétimo dia – Mudanças e expectativas

     Ponte Alta do Tocantins e Alto Paraíso de Goiás – Uma mudança compulsória de planos reduziu nossa incursão ao Jalapão – e consequentemente,  meus reencontros com as Dunas e o Fervedouro - a três dias. A segunda parte do projeto inicial ficou para outra oportunidade. A descoberta da Praia do Araçá e os `mergulhos` na Cachoeira da Fumaça e Rio Soninho, no entanto, compensaram a frustração da mudança de planos.

A praia do Rio Ponte Alta e a antiga ponte de madeira, símbolo da cidade


     Frustração que só não foi maior graças às lembranças das viagens anteriores, ainda muito fortes: a imponência da Cachoeira da Velha, no Rio Novo, com sua sequencia de quedas que remetem às Cataratas do Iguaçu; a beleza das Dunas, formadas pela decomposição da onipresente Serra do Espírito Santo; e a emocionante aventura proporcionada pelo Fervedouro, onde é impossível afundar.
     Outra boa surpresa foi encontrar a cidade de Ponte Alta com uma aparência renovada.  Logo na entrada,  para quem chega de Porto Nacional, um estádio de futebol e uma praça novos mostram que alguma coisa mudou,para melhor. As ruas de terra ganharam asfalto e meio-fios pintados. O ‘lado de lá’ (*) do rio que divide a cidade também ganhou uma praça. Há, até, sinalização de trânsito, indicando os caminhos corretos.
      A praia da cidade, entre as duas pontes (uma das quais de madeira, antiga e simbólica) está urbanizada e iluminada. A cidade continua se ressentindo, entretanto, de opções para refeições. Mas não há risco de o turista 'passar fome'. O bar do Beleco funciona todos os dias, assim como a lanchonete Pit Stop, do 'seu' Salomão, um dos oito irmãos de José Arilon, dono da Pousada Vereda das Águas, ambos em frente ao Rio.
     Melhorou, também, e muito, a – digamos – ‘ordem’ na cidade, graças, em especial, à atuação do novo representante da Justiça, um jovem promotor comprometido com o que ele mesmo classificou de “ideais”.
     Rumo à Chapada – Com a mudança de planos, saímos cedo de Ponte Alta, a caminho de Alto Paraíso de Goiás e uma parada estratégica na Chapada dos Veadeiros, outro paraíso ecológico. Optramos pela estrada que passa por Pindorama e termina nas proximidades de Natividade, já na Rodovia Coluna Prestes.

O EcoSport foi obrigado a enfrentar barro e buracos, mas também  atravessou  belas paisagens

     Não foi uma boa escolha. Os quase 40 quilômetros de asfalto e a economia de 150 quilômetros no percurso não compensaram o desgaste da buraqueira e dos desvios provocados pelas obras que estão sendo realizadas na região. Mas serviram para comprovar a eficiência do EcoSport em terrenos realmente off road.
     Na rodovia, longas retas com asfalto perfeito e enormes armadilhas (buracos em profusão) dividiram-se ao longo de oito horas de condução. Outro teste para a resistência do veículo e a paciência dos motoristas.
     Que o sábado reserve bons momentos na Chapada.

(*) O asterisco remete a uma lembrança de 2008, pouco antes das eleições, vencidas justamente pelo atual prefeito, Cleiton Maia. Na campanha, Maia critica o prefeito da época, com versos bem claros e objetivos: "No lado de lá, a coisa tá feia; no lado de cá,o povo leva peia". Mais claro, impossível.





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (8)

A Praia do Araçá, formada pelo Rio Balsas

Sexto dia – Uma descoberta e um encontro



     Ponte Alta do Tocantins – Eu já sabia que havia algumas atrações ainda desconhecidas para mim, apesar das cinco incursões anteriores ao Jalapão, essa região especial do Brasil. Mas não imaginava que uma delas – a Praia do Araçá, no Rio Balsas - poderia ser tão encantadora.

A vegetação dá vida ao rio

     Distante cerca de 50 quilômetros (estrada de terra em razoáveis condições), a Praia do Araçá reúne todos os atrativos imagináveis num recanto de rio: águas límpidas, areia branca fina, muita vegetação, algumas corredeiras, para quebrar a monotonia, e um enorme e envolvente bom astral.



Breno e a mulher, Rosana,lavando a louça do almoço


     Um clima que favoreceu outro encontro, com um jovem casal de Porto Nacional que chegara um pouco antes, decidido a acampar. Rosana e Júnior Breno dividiram a praia e o almoço que fizeram conosco.
Breno é um vitorioso. Aos 13 anos, fraturou três vértebras ao mergulhar no Rio Tocantins. Tetraplégico, chegou a ser desenganado.


     Hoje, aos 27 anos, leva a vida normal para uma pessoa que passou dois anos na cama, imóvel. Anda, dirige, nada e se orgulha do filho, Breno, de oito anos. “Os médicos chegaram a dizer que eu não poderia ter filhos”, contou, emocionado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (7)

A Gruta da Suçuapara, uma joia do Jalapão

Quinto dia: a Gruta e o Lajeado



     Beira da estrada que liga Ponte Alta a Mateiros, Tocantins - Logo ali, a cerca de 50 metros da poeirenta, esburacada e instigante estrada que leva ao município de Mateiros, esconde-se uma das jóias do Jalapão: a Gruta de Suçuapara, uma fenda de cerca de 15 metros escavada na rocha pelo Córrego Mata Nova, distante apenas 13 quilômetros de Ponte Alta.
     Córrego que vira uma pequena cachoeira, forma um pequeno lago e segue, límpido, pelo cerrado. Em volta, paredões gotejantes, verdes de musgo e samambaias. Quando o sol está bem alto, o interior da gruta ganha ainda mais cores. Coisa de cinema americano.


O Lajeado,com seus degraus

     Um pouco à frente (no KM 32), uma entrada sem sinalização leva a uma das áreas mais reservadas do percurso: a Cachoeira do Lajeado, formada por dois riachos. A água, límpida como é comum na região, corre sobre uma grande laje vermelha, formando degraus e algumas dezenas de pequenas quedas de água, antes de mergulhar num poço e seguir pelo cerrado.
     Pois o Jalapão é assim. Tem água até mesmo nas Dunas, talvez o seu mais emblemático cartão postal. As dunas - montanhas de areia formadas pela decomposição dos chapadões de arenito de uma parte da também onipresente Serra do Espírito Santo - são circundadas por um pequeno córrego de água doce capaz de fazer inveja ao líquido que chega às nossas torneiras. Um riacho que se transforma em bênção para os que se aventuram - sob o sol - a caminhar pelo areal, depois de escalar paredões.


As estradas de saibro exigiram o uso da tração 



     Para chegar a esse pequeno paraíso, foi necessário acionar a tração 4x4 que providencialmente equipa nosso modelo EcoSport. São dois quilômetros de trilha, repleta de bancos de areia, fatais para um veículo 'normal'.
     E há ainda o Rio Vermelho, de águas ferruginosas, o Rio do Sono e dezenas de riachos e córregos que cruzam as estradas e oferecem banhos inesquecíveis ao lado das pequenas pontes. É só parar o carro e mergulhar.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (6)

A torrente de água do Rio Balsas forma a Cachoeira da Fumaça
 Quarto dia: Um mergulho na 'Fumaça' e no Soninho

     Ponte Alta do Tocantins - As atrações do Jalapão não ficam, apenas, no caminho para Mateiros. Há o que eu chamo de 'Baixo Jalapão', que surge no entorno da estrada que leva a Rio da Conceição e Dianópolis. A primeira parada é no Morro da Pedra Furada, de arenito, esculpido pelos ventos. Alem da beleza dos desenhos criados pela natureza, o lugar abriga uma espécie de santuário de periquitos, que fazem um enorme alarido na chegada de visitantes. Daí, é seguir em frente, na direção das cachoeiras.


Uma ponte rústica sobre o Rio Balsas


     A 'fumaça', acreditem, começa a ser sentida ainda na estrada, junto à ponte de madeira sobre o Rio Balsas. Poucos metros separam o visitante de mais esse monumento natural. Aos mais bem-dispostos e preparados, a Cachoeira da Fumaça reserva uma experiência ímpar: observar a massa de água caindo à sua frente, num platô escavado na pedra.
     Uma trilha no paredão (no lado esquerdo) leva à base da cachoeira, onde é possível chegar tendo cuidados mínimos para não escorregar nas pedras molhadas e com limo. A sensação de ficar atrás da torrente de água é inesquecível.
     Antes, ou depois da experiência na cachoeira, a opção é desfrutar do banho no rio, que forma pequenas quedas ali mesmo, perto da ponte.


Na Passagem do Rio Soninho, um 'caminho` nas águas 


     Poucos quilômetros antes - em termos de Jalapão, que fique claro (20 quilômetros) -, uma experiência das mais agradáveis: um banho na Passagem do Rio Soninho, também à beira da estrada. Nesse trecho, o rio corre sobre uma laje de pedra avermelhada, com uma lâmina de água de uns vinte centímetros, em média, Mais à frente, estreita e encorpa até mergulhar em uma cachoeira que impressiona pela força das águas. É coisa para passar uma tarde inteira, em total desfrute.
     De Ponte Alta à Cachoeira da Fumaça são 90 quilômetros de estradas de terra (a Passagem do Soninho fica 25 quilômetros mais perto, ou menos longe). No caminho outra passagem: pelas cachoeiras do Lajeado e Pau D'Arco, pequenas, cujos rios formadores cruzam a pista e despencam logo em seguida.


Com o EcoSport no `meio` do Rio Soninho


     Em todo esse trajeto (180 quilômetros, ida e volta), é bom lembrar, não há qualquer ponto de apoio. O aventureiro deve levar água, lanche e ter cuidado com as abelhas que guardam a Pedra Furada e com as mutucas que atacam os aventureiros com enorme disposição e voracidade.
     Nesse percurso, com algumas armadilhas, como buracos, costelas e muita areia, o EcoSport parecia estar em casa, integrado à paisagem. Para ampliar a segurança, acionamos a tração 4x4, obrigatória na estrada para acessar as atrações no caminho para Mateiros. 
     Em Ponte Alta, uma boa opção de hospedagem e serviços (serviço de guia e traslado) é na Pousada Veredas das Águas (63 - 3378.1581) - , ao lado da ponte de concreto, em frente ao Rio Ponte Alta, que divide a cidade. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (5)

O Tocantins, visto da ponte de acesso a Porto Nacional


Terceiro dia: O encontro com  o Tocantins


     Ponte Alta do Tocantins - Cruzar os 800 metros de ponte sobre o Rio Tocantins foi, sem dúvida, o momento mais emocionante dessa terceira etapa (desde Uruaçu) da viagem, pelo simbolismo. Ali, na cidade de Porto Nacional, o rio é largo e bonito, especialmente nessa época do ano, quando suas águas estão mais claras. 
Uma imagem da Belém-Brasília: a estrada se funde com o horizonte
     Da Belém-Brasília ( pouco depois da cidade de Fátima) até Porto Nacional, rodamos 60 quilômetros por duas estrada pouco movimentada. 
     De Porto Nacional - ocupada pela Coluna Prestes nos anos 1920 do século passado - a Ponte Alta do Tocantins, foram mais 132 quilômetros, parte deles gasta em um trecho de serra sinuoso, logo depois do vilarejo de Monte do Carmo.
     Ponte Alta é - como exibe em pedra - um dos portais de entrada do Jalapão. Cortada pelo Rio Ponte Alta, é uma cidade sem prédios, normalmente calma, mas que se transforma nos fins de semana, nas férias de junho/julho e nos feriadões. A beira do rio - nesses momentos - vira uma grande e barulhenta área de lazer.
     Em dois anos, desde minha última passagem pelo local, muita coisa mudou. A cidade recebeu um bom investimento em infraestrutura e está remoçada.


  Uma parada obrigatória na Belém-Brasília: a ponte sobre o Rio São Francisco
  
   Passados três dias de estradas, é hora de preparar o espírito para as emoções dos encontros com as ainda incríveis atrações da região, como a Cachoeira da Fumaça e a Passagem do Soninho, metas de amanhã, localizadas ao longo de 90 quilômetros de estradas de terra e muita areia, os primeiros grandes desafios fora de estrada do EcoSport. SW4.

Nas águas do Jalapão (4)


O EcoSport mostrou confortoe bom desempenho nas estradas asfaltadas



Segundo dia: Cruzando o cerrado

Uruaçu - A opção pelo caminho mais longo - Belém-Brasília - mostrou-se bem agradável. A rodovia, embora estreita, recebeu um 'banho de asfalto' e está em boas condições. Para cortar caminho, evitando a desnecessária passagem por Brasília (ficou para a volta), decidimos sair da BR 040, entrar no sentido de Gama e seguir em direção a Anápolis, uma 'economia' de cerca de 52 quilômetros.
Antes, ainda em Minas, uma pausa para fotos do Rio São Francisco, no trecho em que ele passa por Três Marias, onde pernoitamos. Da estrada é possível avistar parte do grande lago formado para abastecer a hidrelétrica.

O São Francisco é denso e muito bonito nesse trecho, em Três Marias    


Já na BR 153 - depois de passar almoçar em Cristalina -, o movimento de caminhões exigiu cuidado redobrado. A perda de tempo em relação à rota pela Rodovia Coluna Prestes foi compensada, especialmente para os estreantes nas estradas, pela emoção de desfrutar de enormes retas, nas quais o asfalto se confunde com o horizonte.
De Três Marias até Uruaçu foram quase 800 quilômetros, percorridos em dez horas, incluindo o tempo gasto com o almoço e paradas ocasionais. A média - 90 km/h - foi bem razoável, para quem tem o compromisso apenas de aproveitar a possibilidade de conhecer um perfil diferente do Brasil.
Nosso EcoSport vem atendendo perfeitamente às exigências de desempenho e conforto. Em ritmo constante, na Belém-Brasília, mal sentimos o ambiente externo. Um razoável tratamento acústico e boa vedação criam um ambiente agradável. Já o consumo assustou um pouco: na melhor passada, foram compreensíveis 9,2 quilömetros por litro. 



domingo, 21 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (3)


Primeiro dia: Ambientação com o carro e com as estradas

Três Marias - Nas renovadas rodovias do Rio, de Minas, poucas dificuldades. No primeiro dia de viagem, o asfalto novo de longos trechos da BR 040 possibilitou momentos de aceleração máxima. Momentos para ‘ouvir’ o silêncio do motor, um dos mais potentes da categoria., capaz de garantir ultrapassagens seguras, com sobras.
No caminho, pelo menos uma parada obrigatória: para almoçar, na altura de Juiz de Fora, no restaurante Fartura no Fogão, de comida típica mineira, logo depois da fábrica da Mercedes Benz.
Para evitar desgastes desnecessários, decidimos - sempre - parar ao anoitecer, evitando, assim, eventuais 'armadilhas' da estrada. Dirigir à noite, só por muita necessidade. Parando cedo - desde que atingida a meta pré-estabelecida - é possível encontrar vagas nos pequenos hoteis das pequenas cidades que surgem pelo caminho, fazer um lanche com calma e, ainda, dar um rapído passeio para 'conhecer', ao menos, a praça principal do lugar.
Nesse primeiro dia, deve-se ter cuidado e atenção no acesso e no contorno de Belo Horizonte. Caminhões, ônibus e carros de passeio disputam cada espaço da estrada, num ritmo um tanto frenético, especialmente no fim do dia.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nas águas do Jalapão (2)

A área do Jalapão, com suas estradas de terra, rios e cachoeiras de águas límpidas


Um paraíso em poucas linhas

          O Jalapão – a Sudeste do estado do Tocantins e a 2.380 quilômetros do Rio de Janeiro – ainda é uma fronteira pouco explorada do ecoturismo, esse tipo de turismo que flerta com a aventura. Um deserto repleto de cachoeiras, rios de água potável (algo absolutamente impensável nas nossas cidades), montanhas e uma razoável vida selvagem, que começa a ser ameaçada. Um deserto onde brota o capim dourado, transformado em peças de decoração e bijuterias por artesãs locais.
     Há 350 milhões de anos, essa área do Brasil foi o fundo de um oceano. Formado por chapadas e cânions de origem sedimentar, o Jalapão é uma das mais exóticas paisagens brasileiras, com seus riachos e ribeirões, cachoeiras, lagoas, dunas de areia vermelha, serras e chapadões.
     Existem dois períodos bem definidos no Jalapão: o chuvoso – que vai de outubro a abril – e o e seco (de maio a setembro). Na seca, as estradas – todas de terra - apresentam melhores condições e as águas do Rio Novo – o grande destaque da região - ficam mais baixas, facilitando o uso esportivo. A temperatura média é de 30ºC.
     Com um solo relativamente pobre, o Jalapão ainda se mantém razoavelmente preservado da exploração agrícola. Grande parte da região é marcada por campinas e pelo cerrado ralo. Mas ainda é possível encontrar alguns trechos de mata junto aos rios.
     Isolado do progresso, é uma das áreas de menor densidade do Brasil - média de 0,61 habitante por quilometro quadrado. A região começou a ser ocupada nos anos 1860, por nordestinos que tentavam fugir da seca. Em Mateiros existe uma comunidade negra (os mumbucas), descendente de ex-escravos fugidos do norte da Bahia. Foi ali que nasceu o artesanato com capim dourado, hoje difundido por toda a região.

Nas águas do Jalapão (1)

     A partir de amanhã, se os ventos da modernidade permitirem, vou postar diariamente textos e fotos de uma incursão ao Jalapão - a minha sexta, em oito anos -, um dos ainda mais bem preservados paraísos ecológicos brasileiros, no estado do Tocantins, bem próximo do que poderíamos chamar de a ‘tríplice divisa’, com a Bahia, o Piauí e o Maranhão.   
     A previsão é rodar cerca de cinco mil quilômetros a bordo do modelo 2011 do Ecosport SW4, da Ford, num misto de teste, aventura e turismo que vai começar no Rio de Janeiro; atravessar três estados (Minas, Goiás e parte doTocantins) e o Distrito Federal; e que pretende cruzar o Jalapão.
     Ao longo dessa prova, o modelo topo EcoSport (2.0, a gasolina) será submetido a diversas exigências, especialmente nos infindáveis quilômetros que ligam as três referências urbanas da região do Jalapão: Ponte Alta do Tocantins, Mateiros e São Félix do Tocantins.
     Boa viagem!