quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Faces da devassidão

     O Jornal Nacional de hoje exibiu algumas faces deletérias do esquema de poder que vem se apropriando das riquezas e devastando a dignidade do país. Se alguém minimamente decente tivesse alguma dúvida quanto à dimensão do assalto institucionalizado há doze anos, bastaria ver e ouvir as entrevistas de dois dos mais lídimos representantes desse lixo ‘ideológico’ representado, hoje, pelo PT e seus asseclas na empreitada de dilapidar nosso patrimônio para garantir a perpetuação no poder.
     Com a desfaçatez que lhe é própria, o presidente do PT, Rui Falcão (eu diria que está mais para ‘abutre’), teve a ousadia de ameaçar um dos delatores do esquema de assalto à Petrobras, acusando-o de estar manchando a imagem do partido, sem provas, pois todas as doações recebidas pela agremiação foram legais e aprovadas pela Justiça.
     Essa vigarice retórica já é resultado da tática que a companheirada vai explorar sistematicamente, apostando na falta de informação da população, na sua dificuldade em compreender os mecanismos empregados nessa mais recente canalhice protagonizada pelo PT.
     Ele, é evidente, sabe muito bem que ninguém está discutindo se as doações foram feitas oficialmente, ou não. Elas foram feitas abertamente, sim, ao contrário da roubalheira anterior, a do Mensalão do Governo Lula. A questão jamais foi essa. O golpe, que essa gente imaginava perfeito, passava justamente pela formalização das doações. O dinheiro saía dos cofres das empreiteiras e abastecia as contas petistas e assemelhadas. Só que era um dinheiro roubado.
     Os gênios petistas, ressabiados com os resultados do Mensalão, imaginaram uma fórmula que, em tese, não seria detectada: a empresa contratada pela Petrobras apresentava seu preço real por um serviço e, em cima dele, os canalhas colocavam a taxa petista. A empresa pagava o preço ‘cheio’ e repassava a diferença - o roubo !!! - ao PT e assemelhados, na forma de doação legal. Simples assim.
     O esquema funcionou nos últimos anos, garantindo quantias fabulosas aos empresários, partidos e políticos da ‘base governista’, além de forrar os bolsos dos intermediários. Essa gente não contava, entretanto, com um juiz digno, determinado a apurar seriamente as pilantragens que começaram a chegar ao seu conhecimento, quase por acaso. A Operação Lava-Jato, a princípio, não se destinava a apurar a petrorroubalheira. Foi um bônus, alimentado, como sempre, por delações de dentro do esquema. Bandidos denunciando bandidos, para escapar da cadeia, como nas velhas histórias da máfia.
     Não há como escapar dessa realidade. Não há marqueteiro que consiga reverter esse processo. As provas já estão coletadas e aumentam a cada dia, a cada novo delator. E não há mais espaço para negaças, artifícios, ilusionismos. O dinheiro roubado da Petrobras ajudou a eleger Dilma Rousseff duas vezes, com a aquiescência dos donos do partido hegemônico, sob a coordenação do seu (deles, petistas é claro!) tesoureiro. Tudo o mais é pura vigarice retórica, especialidade da ‘casa’.
     Já ia terminando sem citar o outro personagem deletério que se apresentou, no JN, em nome do PT: trata-se do deputado federal cearense José Guimarães, atual ‘líder’ da bancada na Câmara. Ele foi o escalado para defender seu partido. Logo ele, que em 2005, quando era deputado estadual, esteve envolvido em um escândalo paralelo ao Mensalão: um de seus assessores diretos foi apanhado com uma fortuna escondida na cueca. Dinheiro ‘não contabilizado’ destinado – a julgar pelo noticiário da época – ao partido. Um José irmão de outro José, o Genoíno, condenado à prisão na leva que englobou, ainda, outro José, o Dirceu, apontado como chefe da roubalheira nos tempos de Lula.

     

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Devassos e patéticos

     Além de devassos, patéticos. É incrível como personagens de tamanho destaque na vida nacional não têm um mínimo de compostura, de humildade, um traço que seja de dignidade. As declarações da atual presidente, Dilma Rousseff e do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, durante as ‘comemorações’ pelos 35 anos de fundação do PT, ultrapassaram todos os limites. No dia em que o país é agredido pela notícia do desvio de US$ 200 milhões, perpetrado justamente pelo tesoureiro do partido, seus dois maiores representantes repetiram um discurso vagabundo, acusando a parcela decente do país de estar tentando um golpe.
     Jogaram no lixo, mais uma vez, a oportunidade de demonstrar algum respeito pelo país. É evidente que não sou ingênuo a ponto de imaginar que Dilma e Lula admitissem a gigantesca roubalheira que está em curso no país. Mas exercitar justamente o contrário, explorando a tese de que tudo não passa de um projeto das ‘elites’, só explicita a dimensão da falta de decência que vem marcando a vida nacional nos últimos doze anos.
     Assim como fizeram com os bandoleiros condenados no episódio do Mensalão, as principais lideranças petistas defendem os atuais quadrilheiros, atacam a Justiça e demonizam a imprensa livre e independente, que nada mais faz do que cumprir seu papel de dar voz à indignação dos homens e mulheres dignos e expor as mazelas de um esquema de poder putrefato, corrupto e corruptor. 
     Não consigo enxergar, no horizonte, possibilidades de o país conviver com o lamaçal que escorre do poder central. Essa gente precisa aprender, de uma vez por todas, que não há bem maior do que o exercício da retidão. Precisa ser compelida a aceitar as regras impostas pela Lei. A sociedade precisa dar uma resposta dura e inequívoca a esses transgressores. É o que espero da Justiça.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Chega!

     Acreditem: ainda há quem, embora individualmente digno, encontre forças para, de alguma maneira, defender os atuais detentores do poder. Pessoas que buscam explicações, comparações, mesmo sendo atropeladas pela avassaladora constatação de que jamais houve, no país, algo sequer próximo da devassidão em que estamos mergulhados. E isso me constrange, profundamente.
     É difícil entender o que leva um determinado grupo de pessoas a ignorar as enormes evidências de que somos governados por uma quadrilha determinada a tudo para se manter no poder. Nós, como nação, somos agredidos diariamente pelo volume de notícias dando conta da dimensão do assalto institucional aos cofres e à dignidade do país. São números e informações inimagináveis, todos partindo de dentro do esquema, dos intestinos dessa engrenagem espúria instalada em todos os escalões da República.
     O governo está podre. Esse projeto de dominação, baseado na mentira, na manipulação da miséria, na exploração da ignorância, no desrespeito à civilidade, chegou à exaustão. Não é mais possível conviver com esses descalabros, com criminosos travestidos de seres políticos. Não há outro caminho para o Brasil a não ser o do expurgo dessa geração desqualificada que assumiu o poder há 12 anos.
     Graças a um judiciário ainda não inteiramente dominado e à presença de uma imprensa livre e independente, as chances de interrompermos essa quadra lastimável da nossa história são bem acentuadas. O excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pelo juiz federal Sérgio Moro e pela Polícia Federal está conseguindo fechar o cerco em torno do bando de degenerados que tenta se apossar do país em definitivo, usando todos os meios que a sua falta de escrúpulos oferece.
     Embora alguns insistam na tese desesperada de que há um ‘golpe’ em marcha (enquanto discutem sobre dar, ou não, 'vivas' ao tesoureiro acusado de corrupção), ela não se sustenta. Afunda ante às constatações da dimensão das afrontas à Lei, que deve ser, por óbvio, igual para todos. O fato de um criminoso ocupar um lugar de destaque na sociedade não deve ser visto como um atenuante. Ao contrário. É um agravante. Quanto maior o poder, mais dura deve ser a penalidade.

     Chega de delúbios, vaccaris, dirceus, lulas, dilmas e assemelhados. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Canalhice sem limites

     Um desses ex-diretores da Petrobras envolvidos na maior roubalheira institucional de todos os tempos estimou, em denúncia aceita pela Justiça, que o PT arrecadou algo em torno de R$ 200 milhões em propinas. Dinheiro que saiu dos cofres daquela que já foi uma empresa que orgulhava o país. Dinheiro da nação, nosso.
     Como em TODOS os casos envolvendo assaltos do PT e afins, a denúncia vem de dentro, de algum 'companheiro' ou assemelhado irritado com pilantragens internas ou - como é o caso - decidido a não pagar sozinho pelas vigarices. Não houve uma denúncia, sequer, que tivesse partido da ... 'oposição'.
     Foi assim no Mensalão do Governo Lula. Está sendo assim nessa canalhice. Esses R$ 200 milhões (por baixo ...) financiaram campanhas eleitorais, incluindo as da atual presidente da República, de acordo com as denúncias, corrompendo as instituições e aviltando o país. 
     Não há a menor dúvida de que essa gente merece o desprezo das pessoas de bem e o rigor da Justiça.
     E ainda há quem defenda essa corja.

Um abraço de afogados

     Três personagens, em especial, representam bem o abismo político, ideológico e institucional no qual afundou essa já tão sofrida América do Sul. Não há continente, por mais vigoroso que possa parecer, que suporte a presença, ao mesmo tempo, no mais alto posto de suas nações, de presidentes tão medíocres, arbitrários e envolvidos em ‘trapalhadas’ institucionais como a brasileira Dilma Rousseff, a argentina Cristina Kirchner e o venezuelano Nicolás Maduro. Com um agravante: os três substituem outros dirigentes lastimáveis, com ligeiro destaque – no quesito ignorância e desfaçatez - para Lula e Hugo Chávez.
     Correndo ‘por fora’ nessa lista de estelionatários políticos, surgem o equatoriano Rafael Correa e o boliviano Evo Morales, outros dois exemplos de inimigos ferrenhos das liberdades, defensores da censura, demagogos e populistas. Já o Chile emerge dessa seleção dos horrores, com a discreta e eficiente Michelle Bachelet, a prova mais evidente que é possível, sim, ser ‘socialista’ no século 21, sem mergulhar nesse lamaçal supostamente ideológico que marca nosso continente.
     Não por acaso, Brasil, Argentina e Venezuela vivem momentos do mais completo desvario, com crises institucionais que podem levar à destituição de seus presidentes. A recente morte do promotor argentino Alberto Nisman colocou o governo irremediavelmente contra a parede. Atormentada por graves acusações de corrupção, que remetem ainda ao tempo de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, Cristina tenta desesperadamente sobreviver politicamente. Ainda resiste graças ao resultado do trabalho de aparelhamento da Justiça, exercido ao longo dos anos sob a dinastia familiar.
     A Venezuela, pela gravidade da situação geral do país, mergulhado em uma crise infindável, parece caminhar para uma encruzilhada eventualmente sangrenta. Falido, o governo já não dispõe dos recursos para financiar seus desatinos. Maduro, que sobrevive graças ao ‘carisma’ do ainda insepulto Hugo Chávez, chegou ao limite. Além das sandices pessoais (diz ter contatos ‘espirituais’ com seu guru), entrou em choque direto com os setores ainda razoavelmente produtivos do país e conferiu às forças de segurança o direito de matar seus oponentes, caso se manifestem publicamente. Está moribundo.
     Dilma Rousseff sobrevive, apesar do tamanho do assalto aos cofres públicos. Graças a medidas tomadas há duas décadas, o Brasil resiste à estupidez e à ganância dos que ocupam o poder. Os desdobramentos da já famosa Operação Lava-Jato, no entanto, tendem a criar graves obstáculos a esse seu segundo mandato, que não consegue começar. O cerco em torno do governo e do seu partido oficial, o PT, está cada vez mais apertado.
     Confirmado – como parece ser inevitável – o grande roubo dos recursos da Petrobras (por enquanto, ainda há o BNDES para ser vasculhado ...) em benefício do PT e de seus asseclas, a situação da presidente ficará insustentável. Nossa Justiça, apesar de marcada por momentos (como os recentes aumentos de salários e mordomias) e personagens (os presidentes do STF e TSE, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, respectivamente, por exemplo) lastimáveis, preserva, ainda, uma essência libertária, independente.
     E uma Justiça independente - apoiada por uma imprensa livre - é a maior ameaça a governantes corruptos e/ou coniventes com a corrupção.






quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Uma 'esquerda' repugnante

     Um fato para reflexão: os animais do tal 'Estado Islâmico' - aquele mesmo que nossa presidente quer que seja tratado como um 'igual' pelos Estados Unidos, França e Inglaterra, entre outros - queimaram um prisioneiro jordaniano, vivo, depois de decapitarem dois japoneses. Não vislumbrei nas redes sociais, jornais, revistas, rádios, tevês e nas ruas qualquer sentimento de repulsa a esses atos bárbaros, por parte dos nossos vibrantes e sempre ativos movimentos sociais e assemelhados. 
     A morte do promotor argentino Alberto Nisman mereceu tratamento muito semelhante. Ou seja: o mais eloquente e covarde silêncio dos nossos revolucionários de palanque, incluindo nesse grupo asqueroso os atuais governantes do país. 
     Essa 'esquerda' brasileira (seja lá o que sabemos que ela é ...) é absolutamente repugnante. 

O começo da tempestade

     A jornalista Miriam Leitão, hoje, em O Globo, define, em uma frase o desfecho dessa primeira fase da devastação produzida pelo Governo e seus aliados na Petrobras. Graça Foster sai da empresa, punida, por ter sido minimamente coerente, ao divulgar a estimativa do rombo nas contas da nossa empresa mais importante (cerca de inimagináveis R$ 88 bilhões). Não sai (pediu ‘demissão’, oficialmente) por ter alguma parcela de culpa (omissão, no mínimo) no esquema de assalto que irrigou o PT e seus asseclas, incluindo partidos da ‘base’, campanhas companheiras e bolsos ávidos. Sai por ter exposto uma parte do desastre causado pelo aparelhamento da estatal.
     Essa é a lógica desgraçada da quadrilha que se instalou no país há doze anos. Não há problema algum em desviar dinheiro público (José Dirceu e comparsas continuam sendo aclamados), em produzir dossiês falsos contra adversários; em ter assessores flagrados com dólares escondidos na cueca; em usar o poder para se locupletar. Nada disso é relevante, e o ‘novo’ ministério da presidente Dilma Rousseff é a prova mais cabal dessa realidade.
     Nessa quadra infeliz da nossa história, o grande pecado, capital, é desafiar, de algum modo, os chefes. Foi assim com o ex-presidente Lula, o mais medíocre, mentiroso e incapaz de todos os tempos. É assim com Dilma Rousseff, sua digna sucessora. Se o primeiro dirigia o país como se ainda estivesse cantando as “viuvinhas” de metalúrgicos, no tempo em que dirigia o sindicato da classe, Dilma Rousseff exibe truculência e despreparo semelhantes.
     Graça Foster sai – como destacou Miriam Leitão – pela virtude demonstrada, ao reconhecer a tragédia dos números quase oficiais da Petrobras. Irritou a rainha, dada a acessos de estupidez que – é inacreditável! – provocam pavor até em ministros (alguns já choraram, após saraivada de berros e impropérios). Assim como Lula, nossa presidente acredita que inventou o Brasil – ou reinventou, pelo menos.  

     Seu futuro, no entanto, é tão obscuro quanto as contas da Petrobras. A tempestade provocada pelo escândalo da Petrobras ainda está se formando. Os próximos meses darão a dimensão exata do desvario do esquema governista na sua busca pela perpetuação no poder, com a divulgação das acusações contra agentes políticos. O fim pode estar começando.