A 'entrevista' do ex-ministro José Dirceu à Fundação Perseu Abramo, do PT - e repercutida nos nossos jornais, entre elas o Estadão -, é um primor de vigarice retórica. É inacreditável que alguém dessa era inaugurada há dez anos e oito meses ainda tenha a coragem de acusar as "elites" de alguma coisa. Essa gente finge que não está de braços dados justamente com o que há de pior nas elites brasileiras, em todos os setores, destaque absoluto para o político.
Será que eles - Dirceu e companhia - esqueceram das profundas ligações e amizades com José Sarney, Paulo Maluf, Carlos Lupi e Michel Temer, por exemplo? Se essa turma não é da 'elite', acho melhor que todos nós reconsideremos o conceito que temos sobre a palavra. E os banqueiros, que nunca, jamais, em tempo algum, lucraram tanto, em tão pouco tempo, como agora? E a turma das empreiteiras, refastelada no colo do tal PAC?
Até compreendo o desespero de Dirceu, condenado à cadeia por ter chefiado a quadrilha que assaltou os cofres públicos durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Ele, certamente, jamais imaginou que a situação chegasse ao ponto em que chegou. Afinal, está a apenas 24 horas de ver soterradas suas tênues esperanças de ficar livre da prisão. Com um pouco de esforço, eu poderia, até, admitir que ele acredita, mesmo, que a roubalheira petista foi realizada em nome de uma causa maior. Não acredito nessa baboseira, mas é possível que haja alguém que creia.
Dirceu talvez devesse estar direcionando sua mágoa e seu inconformismo para outros alvos, que saíram ilesos da devassa realizada nas investigações e julgamento do Mensalão. Mas a culpa por essa situação é dele mesmo, ao ter apostado na influência do poder não apenas na fase de investigação, mas no julgamento dos crimes.
O peso das provas, no entanto, inibiu qualquer tentativa de acobertamento ou de leniência, especialmente dos julgadores, com as exceções - Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli - já conhecidas de sobra e repudiadas por todos quase toda a população. Inibiu, até mesmo, a imaginada interferência dos novos juízes, apenas alinhavada.
A entrevista de Dirceu soa, para mim, como o último lamento, algo como as derradeiras palavras ou refeição concedidas a um condenado à morte. Se tudo correr normalmente, como o Brasil decente espera, amanhã, no fim da tarde, o destino da turma que ousou desafiar a democracia estará definido. E ele passa pelas celas de uma prisão.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Herança maldita
Nada é por acaso nesse soturno período de desmandos e vigarices iniciado há dez anos e oito meses. O noticiário de hoje, envolvendo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), é apenas mais uma indicação de que nada mudou após o desastroso primeiro ano do governo Dilma, notabilizado pela profusão de escândalos que provocaram a saída de sete ministros, recorde absoluto em toda a história brasileira.
O ministério da vez é o mesmo onde reinou o atual presidente pedetista Carlos Lupi, parceiro de primeira hora de qualquer um que esteja no poder. Ninguém menos do que o secretário-geral do MTE foi levado, coercitivamente!!!, para depor sobre acusações de diversos crimes que estão sendo investigados pela Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União. Crimes que vão da fraude à lavagem de dinheiro (qualquer coincidência com o Mensalão não é ocasional).
No âmago da questão, vigarices em convênios, exatamente o mesmo crime o que foi denunciado há dois anos. É algo recorrente, não tenham dúvida. O espírito predador dos cofres públicos manteve-se inalterável, assim como os esquemas de subtração de dinheiro (estou me permitindo usar um eufemismo para roubo).
Grupos políticos, apesar das denúncias, continuam se locupletando de determinados feudos, alguns mais lucrativos do que os outros, é verdade. Mas isso depende do poder 'politico' do aliado. O Ministério do Trabalho, por uma lógica enviesada, continua sendo destinado ao PDT, como se fosse algo hereditário, um direito adquirido graças a uma discutível tradição que remonta à fundação do PTB de Vargas, nos anos 1940 - março de 1945, para ser mais definitivo - e cujo espólio (despojo?) vem sendo arduamente disputado por petebistas e pedetistas.
Há um ano e nove meses, o então ministro Carlos Lupi pediu demissão do cargo, acuado e pressionado, depois de ter feito ameaças e declarações de amor à presidente Dilma. Ao renunciar, ousou, até mesmo, insultar a memória do presidente Vargas, num arremedo de carta-testamento. Na época, afirmava que renunciava "para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo".
Pelo que se vê, deixou seguidores à altura.
O ministério da vez é o mesmo onde reinou o atual presidente pedetista Carlos Lupi, parceiro de primeira hora de qualquer um que esteja no poder. Ninguém menos do que o secretário-geral do MTE foi levado, coercitivamente!!!, para depor sobre acusações de diversos crimes que estão sendo investigados pela Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União. Crimes que vão da fraude à lavagem de dinheiro (qualquer coincidência com o Mensalão não é ocasional).
No âmago da questão, vigarices em convênios, exatamente o mesmo crime o que foi denunciado há dois anos. É algo recorrente, não tenham dúvida. O espírito predador dos cofres públicos manteve-se inalterável, assim como os esquemas de subtração de dinheiro (estou me permitindo usar um eufemismo para roubo).
Grupos políticos, apesar das denúncias, continuam se locupletando de determinados feudos, alguns mais lucrativos do que os outros, é verdade. Mas isso depende do poder 'politico' do aliado. O Ministério do Trabalho, por uma lógica enviesada, continua sendo destinado ao PDT, como se fosse algo hereditário, um direito adquirido graças a uma discutível tradição que remonta à fundação do PTB de Vargas, nos anos 1940 - março de 1945, para ser mais definitivo - e cujo espólio (despojo?) vem sendo arduamente disputado por petebistas e pedetistas.
Há um ano e nove meses, o então ministro Carlos Lupi pediu demissão do cargo, acuado e pressionado, depois de ter feito ameaças e declarações de amor à presidente Dilma. Ao renunciar, ousou, até mesmo, insultar a memória do presidente Vargas, num arremedo de carta-testamento. Na época, afirmava que renunciava "para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo".
Pelo que se vê, deixou seguidores à altura.
sábado, 7 de setembro de 2013
Caetanices e barretadas
Rio e São Paulo, em especial, 'caetanearam'. Algumas dezenas de vagabundos mascarados invadiram o desfile em homenagem à Independência (não, por favor, que ninguém venha com essa conversa de que nunca fomos independentes e bla-blá-bla, pois estou evitando vomitar) e, não satisfeitos, tentaram "acessar" o Palácio Guanabara, segundo uma das repórteres globais encarregadas de cobrir o novo episódio de vandalismo aqui no Rio.
Vejam bem até que ponto podem ir as caetanices: o bando de degenerados que saiu às ruas para destruir os patrimônios público e privado, desafiar a Polícia e infernizar a vida das pessoas decentes estaria, apenas, tentando "acessar" o Palácio, no que teria sido impedido pela incompreensão e arbitrariedade de agentes da burguesia. As máscaras, bombas caseiras, pedras, pedaços de pau e barras de ferro seriam instrumentos a serviço da liberdade e, 'por acaso', de alguns partidos.
É inacreditável que esse tipo de caetanada reúna adeptos e defensores. Sociedade digna alguma pode coexistir com agressões à Lei. Não há justificativa possível. A democracia oferece a todos as oportunidade de exprimir seus pontos de vista com a veemência incontestável do voto. É claro que manifestações - de qualquer matiz, é bom que se frise!!! - não só podem, mas devem ser respeitadas.
Já na Grécia Arcaica, por exemplo (séculos VIII a VI a.C), era nas praças que os cidadãos decidiam seus destinos, apesar das restrições que marcavam a época (mulheres, escravos e analfabetos não tinham direito a voto). Imaginar que o mundo do século 21 pudesse restringir esses direitos seria inadmissível, é evidente.
A liberdade - e a de manifestação é uma das mais caras - é um bem inegociável. Mas não pode servir de instrumento (ou argumento) para justificar a banalização da boçalidade, especialmente em uma democracia. E o Brasil, apesar dos esforços contrários, é um país democrata.
Não é novidade que tenho divergências irreconciliáveis com o grupo de poderosos que assumiu esse país há dez anos e oito meses. Mas jamais me imaginaria aplaudindo agressões ou ameaças físicas à presidente, ou às instituições. O campo das ideias é tão amplo e oferece tantas possibilidades que não pode ser soterrado por atos inaceitáveis.
Vigarices retóricas como a do excelente cantor e compositor Caetano Veloso em nada contribuem com a democracia. Assim como a insistente defesa dos quadrilheiros do mensalão do Governo Lula, como a recentíssima declaração do produtor cinematográfico Luís Carlos Barreto sobre a 'injustiça' que o STF estaria cometendo contra seu amigo José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil condenado por chefiar um bando que assaltou os cofres públicos.
Vejam bem até que ponto podem ir as caetanices: o bando de degenerados que saiu às ruas para destruir os patrimônios público e privado, desafiar a Polícia e infernizar a vida das pessoas decentes estaria, apenas, tentando "acessar" o Palácio, no que teria sido impedido pela incompreensão e arbitrariedade de agentes da burguesia. As máscaras, bombas caseiras, pedras, pedaços de pau e barras de ferro seriam instrumentos a serviço da liberdade e, 'por acaso', de alguns partidos.
É inacreditável que esse tipo de caetanada reúna adeptos e defensores. Sociedade digna alguma pode coexistir com agressões à Lei. Não há justificativa possível. A democracia oferece a todos as oportunidade de exprimir seus pontos de vista com a veemência incontestável do voto. É claro que manifestações - de qualquer matiz, é bom que se frise!!! - não só podem, mas devem ser respeitadas.
Já na Grécia Arcaica, por exemplo (séculos VIII a VI a.C), era nas praças que os cidadãos decidiam seus destinos, apesar das restrições que marcavam a época (mulheres, escravos e analfabetos não tinham direito a voto). Imaginar que o mundo do século 21 pudesse restringir esses direitos seria inadmissível, é evidente.
A liberdade - e a de manifestação é uma das mais caras - é um bem inegociável. Mas não pode servir de instrumento (ou argumento) para justificar a banalização da boçalidade, especialmente em uma democracia. E o Brasil, apesar dos esforços contrários, é um país democrata.
Não é novidade que tenho divergências irreconciliáveis com o grupo de poderosos que assumiu esse país há dez anos e oito meses. Mas jamais me imaginaria aplaudindo agressões ou ameaças físicas à presidente, ou às instituições. O campo das ideias é tão amplo e oferece tantas possibilidades que não pode ser soterrado por atos inaceitáveis.
Vigarices retóricas como a do excelente cantor e compositor Caetano Veloso em nada contribuem com a democracia. Assim como a insistente defesa dos quadrilheiros do mensalão do Governo Lula, como a recentíssima declaração do produtor cinematográfico Luís Carlos Barreto sobre a 'injustiça' que o STF estaria cometendo contra seu amigo José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil condenado por chefiar um bando que assaltou os cofres públicos.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Demagogia mascarada
A 'caetanice' do cantor e compositor ... Caetano Veloso talvez seja a marca dessa onda demagógica que cerca os fascistas e arruaceiros (perdoem-me pela redundância) que vêm infernizando a vida não apenas dos nossos medíocres governantes, mas também do cidadão comum, obrigado a conviver com os inconvenientes causados pela baderna dos sem-causa.
Está lá, no O Globo, sua exortação para que todos saiam às ruas mascarados, amanhã, nos protestos marcados para todo o Brasil: "Proibir o uso de máscaras numa cidade como o Rio é uma violência simbólica", escreveu, sem ficar envergonhado, certamente.
A turma que fala e escreve pensando no sucesso que fará com o público deve estar morrendo de inveja da 'caetanice' de Caetano. "Como é que eu não pensei nisso antes?", devem estar se perguntando aqueles que fingem não enxergar ilegalidade na decisão - aí, sim, simbólica - de esconder o rosto para fugir da responsabilidade pelos atos cometidos.
A máscara - com algumas exceções que justificam a regra (Zorro, Fantasma ...) - é, historicamente, associada a ilicitudes. No caso dos valentões que se escondem nas multidões, posso afirmar que simboliza, também, covardia. É muito cômodo atropelar a lei e a ordem sabendo que não haverá punição.
Manifestantes com causa e responsabilidade devem assumir seus atos e posturas políticas, como aconteceu no início da onda de protestos. A população que foi para as ruas exigir serviços decentes e respeito sequer cogitou de se ocultar. Ao contrário, fez questão de expor a face da sua indignação.
Ao ser apropriada por degenerados, a onda de protestos que atingia também e principalmente o Governo Federal não por acaso mudou de cara e de rumo. Os alvos passaram a ser, principalmente e 'coincidentemente', adversários de determinadas facções políticas, de olho nas eleições do ano que vem. Não resta dúvida que essa gente que governa quase todos nossos estados e capitais merece nosso repúdio. Mas a questão não é essa.
Basta ver os locais onde a onda de violência mascarada é mais forte. Não será difícil constatar que ela é absolutamente seletiva.
Está lá, no O Globo, sua exortação para que todos saiam às ruas mascarados, amanhã, nos protestos marcados para todo o Brasil: "Proibir o uso de máscaras numa cidade como o Rio é uma violência simbólica", escreveu, sem ficar envergonhado, certamente.
A turma que fala e escreve pensando no sucesso que fará com o público deve estar morrendo de inveja da 'caetanice' de Caetano. "Como é que eu não pensei nisso antes?", devem estar se perguntando aqueles que fingem não enxergar ilegalidade na decisão - aí, sim, simbólica - de esconder o rosto para fugir da responsabilidade pelos atos cometidos.
A máscara - com algumas exceções que justificam a regra (Zorro, Fantasma ...) - é, historicamente, associada a ilicitudes. No caso dos valentões que se escondem nas multidões, posso afirmar que simboliza, também, covardia. É muito cômodo atropelar a lei e a ordem sabendo que não haverá punição.
Manifestantes com causa e responsabilidade devem assumir seus atos e posturas políticas, como aconteceu no início da onda de protestos. A população que foi para as ruas exigir serviços decentes e respeito sequer cogitou de se ocultar. Ao contrário, fez questão de expor a face da sua indignação.
Ao ser apropriada por degenerados, a onda de protestos que atingia também e principalmente o Governo Federal não por acaso mudou de cara e de rumo. Os alvos passaram a ser, principalmente e 'coincidentemente', adversários de determinadas facções políticas, de olho nas eleições do ano que vem. Não resta dúvida que essa gente que governa quase todos nossos estados e capitais merece nosso repúdio. Mas a questão não é essa.
Basta ver os locais onde a onda de violência mascarada é mais forte. Não será difícil constatar que ela é absolutamente seletiva.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
O STF e a dignidade
Eu me recuso a acreditar que os ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, recém-chegados ao Supremo Tribunal Federal, estejam decididos a pagar suas indicações dando um jeitinho para os bandoleiros petistas e assemelhados escaparem da cadeia.
É verdade, e o país inteiro sabe disso, que outros dois ministros (Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski) têm se esmerado no uso de todos os artifícios para ajudar seus ex-companheiros e amigos. Mas eles - esperamos! - são a exceção à regra. O STF é uma casa respeitável e com uma tradição de independência que impossibilita sua curvatura aos interesses de grupos que estão eventualmente no poder.
Qualquer ação que fuja a um parâmetro mínimo de dignidade seria desastrosa não apenas para nossa mais alta Corte, mas para o país como um todo. O Brasil espera assistir à prisão dos quadrilheiros que assaltaram os cofres públicos durante o Governo Lula. A condescendência com o delito poderia causar não apenas reações violentas, mas - o que seria mais grave - o desencanto definitivo com a Justiça.
Já existe entre nós a sensação de que os poderosos estão imunes aos efeitos da Lei, que só atingiria os mais despossuídos. A eventual anulação do julgamento, com base em artifícios jurídicos (os tais recursos infringentes, que foram jogados na lata do lixo em 1990, e reciclados, agora pela quadrilha de mensaleiros), só aumentaria o descrédito.
Um descrédito com as instituições que acaba de ser alimentado com a notícia de que o deputado federal José Genoíno, um dos condenados, acaba de pedir aposentaria, alegando problemas médicos. Quer - e vai ... - ficar em casa, pelo menos enquanto não for para a prisão, recebendo quase R$ 30 mil mensais.
É verdade, e o país inteiro sabe disso, que outros dois ministros (Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski) têm se esmerado no uso de todos os artifícios para ajudar seus ex-companheiros e amigos. Mas eles - esperamos! - são a exceção à regra. O STF é uma casa respeitável e com uma tradição de independência que impossibilita sua curvatura aos interesses de grupos que estão eventualmente no poder.
Qualquer ação que fuja a um parâmetro mínimo de dignidade seria desastrosa não apenas para nossa mais alta Corte, mas para o país como um todo. O Brasil espera assistir à prisão dos quadrilheiros que assaltaram os cofres públicos durante o Governo Lula. A condescendência com o delito poderia causar não apenas reações violentas, mas - o que seria mais grave - o desencanto definitivo com a Justiça.
Já existe entre nós a sensação de que os poderosos estão imunes aos efeitos da Lei, que só atingiria os mais despossuídos. A eventual anulação do julgamento, com base em artifícios jurídicos (os tais recursos infringentes, que foram jogados na lata do lixo em 1990, e reciclados, agora pela quadrilha de mensaleiros), só aumentaria o descrédito.
Um descrédito com as instituições que acaba de ser alimentado com a notícia de que o deputado federal José Genoíno, um dos condenados, acaba de pedir aposentaria, alegando problemas médicos. Quer - e vai ... - ficar em casa, pelo menos enquanto não for para a prisão, recebendo quase R$ 30 mil mensais.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Dois deputados e seus roubos
Duas noticias envolvendo ladrões: um, condenado; o outro, confesso. Vamos ao condenado. O deputado federal João Paulo Cunha, do PT paulista (peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro), terá, mesmo, que purgar algum tempo na cadeia, ao lado de outros dez quadrilheiros do Mensalão do Governo Lula, destaque para o ex-ministro José Dirceu. De nada adiantaram os recursos, embargos, traquinagens e tudo o mais que foi tentado ao longo desses quatorze ou quinze meses.
João Paulo perdeu, também e inclusive, a chance de continuar com seu mandatos. mesmo na cadeia. Até mesmo o ministro Ricardo Lewandowski, defensor ferrenho dos petistas condenados, jogou a toalha e admitiu que a decisão pela cassação é do Supremo Tribunal Federal, e que cabe à Câmara, apenas, referendá-la. Não correremos, pelo visto, o risco de assistir a novas cenas explícitas de descaramento. Deputado condenado, pelo menos pelo Mensalão, é deputado cassado, e fim de conversa.
O outro caso de roubo também foi destaque nos jornais, em especial em O Globo. Envolve a deputada Janira Rocha, do PSOL, partido de candidatíssimo a governador e sempre ativo Marcelo Freixo. Ela, com a desfaçatez que caracteriza grande parte da companheirada (no fundo, jogam todos no mesmo time), reconheceu que roubou, sim, dinheiro do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprevi/Rio) para usar no partido.
Mas, como se fosse um arauto dos mensaleiros e afins, saiu-se com mais uma pérola da vigarice. Alega, em sua defesa!!!, que pegou dinheiro, mas para ação política, e não para comprar passagens aéreas. Trata-se, como se pode imaginar, de uma ladra seletiva, a que rouba pela 'causa'. Algo como os fins justificam os meios, essa conversa fiada e pilantra que tenta encobrir o desvio de caráter que pontifica não apenas nas argumentações dos que são pegos com as duas mãos nos cofres públicos.
Esse tipo de desculpa, lastimavelmente, está presente no discurso da turma que ainda defende a camarilha que vem assaltando o país. Uma defesa atravessada, que tenta fazer comparações para justificar sua condescendência com o 'malfeito'.
João Paulo perdeu, também e inclusive, a chance de continuar com seu mandatos. mesmo na cadeia. Até mesmo o ministro Ricardo Lewandowski, defensor ferrenho dos petistas condenados, jogou a toalha e admitiu que a decisão pela cassação é do Supremo Tribunal Federal, e que cabe à Câmara, apenas, referendá-la. Não correremos, pelo visto, o risco de assistir a novas cenas explícitas de descaramento. Deputado condenado, pelo menos pelo Mensalão, é deputado cassado, e fim de conversa.
O outro caso de roubo também foi destaque nos jornais, em especial em O Globo. Envolve a deputada Janira Rocha, do PSOL, partido de candidatíssimo a governador e sempre ativo Marcelo Freixo. Ela, com a desfaçatez que caracteriza grande parte da companheirada (no fundo, jogam todos no mesmo time), reconheceu que roubou, sim, dinheiro do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprevi/Rio) para usar no partido.
Mas, como se fosse um arauto dos mensaleiros e afins, saiu-se com mais uma pérola da vigarice. Alega, em sua defesa!!!, que pegou dinheiro, mas para ação política, e não para comprar passagens aéreas. Trata-se, como se pode imaginar, de uma ladra seletiva, a que rouba pela 'causa'. Algo como os fins justificam os meios, essa conversa fiada e pilantra que tenta encobrir o desvio de caráter que pontifica não apenas nas argumentações dos que são pegos com as duas mãos nos cofres públicos.
Esse tipo de desculpa, lastimavelmente, está presente no discurso da turma que ainda defende a camarilha que vem assaltando o país. Uma defesa atravessada, que tenta fazer comparações para justificar sua condescendência com o 'malfeito'.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Segredos e vigarices
Pode ser - apenas pode!!! - que, a partir de agora, com o fim da lastimável instituição da votação secreta, o Congresso tome um pouco de vergonha e interrompa as vigarices ocultas que vem cometendo. Na verdade, com o voto aberto, talvez nossos representantes em Brasília tenham vergonha de escarnecer do povo ao vivo e a cores, com medo da represália que poderá advir das urnas.
Não é uma garantia, no entanto. Essa gente sabe que a memória popular é curta e facilmente enublada por uma picaretagem retórica ou outra. É o que faz, por exempo, o Governo, há dez anos e oito meses. Mergulhada em trapaças, essa era que se originou no primeiro mandato do ex-presidente Lula vem jogando para as arquibancadas desde sempre. Primeiro, como se fosse um juiz de futebol fingindo que a 'mãe' citada pelos torcedores não é a sua. Em seguida, fazendo gols com a mão e em impedimento.
Aos escândalos - e há uma profusão deles -, a companheirada responde inicialmente com o silêncio, como se não fosse com ela, para encetar, em seguida, uma jogada marqueteira qualquer. Um anúncio requentado de projeto, uma verba astronômica para algum trem-bala, uma foto ridícula com jogadores de futebol ou uma indignação teatral contra o império americano, o adversário ideal de todo e qualquer governante bananeiro.
Infelizmente, coube ao Supremo Tribunal Federal, pelo voto do ministro Roberto Barroso, dar aos congressistas a chance de aliviar a condenação de seus pares, mantendo-os no cargo mesmo quando condenados à cadeia. Com essa espécie de gazua nas mãos, nossos preclaros deputados podem se sentir respaldados para garantir os mandatos dos bandoleiros do Mensalão do Governo Lula, os petistas, em particular. "Afinal" - podem argumentar - "é o STF que está admitindo essa possibilidade".
A pronta reação do ministro Gilmar Mendes pode - e eu espero que sim - soterrar esse golpe jurídico na vontade popular. Além de expor a desfaçatez de uma interpretação desse teor, o ministro mandou um recado à turma que finge não saber direito o que é a instituição do regime semiaberto e argumenta que os bandidos condenados só precisam dormir na cela. Regime semiaberto, companheirada, pressupõe o direito de trabalhar em colônias agrícolas, por exemplo, e não fora dos presídios.
Esse trio que se formou no STF - Barroso, Toffoli e Lewandowski - precisa ser acompanhado de perto, muito perto.
Não é uma garantia, no entanto. Essa gente sabe que a memória popular é curta e facilmente enublada por uma picaretagem retórica ou outra. É o que faz, por exempo, o Governo, há dez anos e oito meses. Mergulhada em trapaças, essa era que se originou no primeiro mandato do ex-presidente Lula vem jogando para as arquibancadas desde sempre. Primeiro, como se fosse um juiz de futebol fingindo que a 'mãe' citada pelos torcedores não é a sua. Em seguida, fazendo gols com a mão e em impedimento.
Aos escândalos - e há uma profusão deles -, a companheirada responde inicialmente com o silêncio, como se não fosse com ela, para encetar, em seguida, uma jogada marqueteira qualquer. Um anúncio requentado de projeto, uma verba astronômica para algum trem-bala, uma foto ridícula com jogadores de futebol ou uma indignação teatral contra o império americano, o adversário ideal de todo e qualquer governante bananeiro.
Infelizmente, coube ao Supremo Tribunal Federal, pelo voto do ministro Roberto Barroso, dar aos congressistas a chance de aliviar a condenação de seus pares, mantendo-os no cargo mesmo quando condenados à cadeia. Com essa espécie de gazua nas mãos, nossos preclaros deputados podem se sentir respaldados para garantir os mandatos dos bandoleiros do Mensalão do Governo Lula, os petistas, em particular. "Afinal" - podem argumentar - "é o STF que está admitindo essa possibilidade".
A pronta reação do ministro Gilmar Mendes pode - e eu espero que sim - soterrar esse golpe jurídico na vontade popular. Além de expor a desfaçatez de uma interpretação desse teor, o ministro mandou um recado à turma que finge não saber direito o que é a instituição do regime semiaberto e argumenta que os bandidos condenados só precisam dormir na cela. Regime semiaberto, companheirada, pressupõe o direito de trabalhar em colônias agrícolas, por exemplo, e não fora dos presídios.
Esse trio que se formou no STF - Barroso, Toffoli e Lewandowski - precisa ser acompanhado de perto, muito perto.
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