Aos textos anteriores - sobre intolerância e estupidez -, somo mais um, que mistura essas duas características e acrescenta, com facilidade, outras tantas do mesmo teor. Os jornais - a Folha, em especial - publicam que a polícia daquela ilha do Caribe comandada pela mais antiga ditadura do mundo, prendeu, mais uma vez, sem motivo algum (como sempre), o dissidente Guillermo Fariñas.
O crime? Ele estava tentando visitar, em um hospital, outro dissidente cubano que estava fazendo greve de fome, seguindo seu exemplo: Fariñas, ano passado, passou 135 em greve de fome, para pedir pela libertação de presos políticos. Cidadãos cubanos que foram presos por discordar do regime, por expressar essa discordância, por palavras e pensamentos, o que, nessa ilha da fantasia, é punido exemplarmente.
Aguardo manifestações de repúdio a mais essa arbitrariedade, mas sei que elas não virão. O nosso mundo, em maior proporção, costuma fechar os olhos à violência e à estupidez da 'esquerda', seja lá o que isso for, nesse começo de século 21.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Ameaça à liberdade
Outra daquelas notícias que entram, facilmente, na minha relação da mais temidas e perigosas. Segundo a Folha, o atual governo do Rio Grande do Sul, um estado historicamente libertário, está "articulando" a criação de um tal de Conselho Estadual de Comunicação, que ficaria incumbido, entre outras coisas, de "propor e acompanhar políticas de comunicação".
Em português objetivo: a turma do PT, comandada pelo governador Tarso Genro, está tentando colocar em prática, no estado, o sonho que o partido acalenta há muitos anos: policiar, em todo o país, jornais, revistas e tevês que ousam discordar dos caminhos impostos ao país e/ou - pecado dos pecados!- denunciar os corruptos e corruptores que infestam a vida nacional há quase nove anos.
O nome do projeto muda, de acordo com a conveniência, com o momento. Mas a essência é a mesma: a velha e conhecida censura, uma prática comum aos regimes que se dizem 'socialistas, esquerdistas' e aos que se mostram 'direitistas'. Na verdade, todos são apenas ditatoriais, inimigos do pensamento livre, do contraditório. A grande marca que os une é a arbitrariedade, a presunção de estar representando o bem maior. E em quase todos os casos, comungam com a corrupção.
Quanto menor a liberdade, quanto maior o controle sobre a sociedade, mais fácil a prevelência do pensamento único, das propostas ditatoriais, mesmo que embaladas para presente, com lacinho rosa.
Em português objetivo: a turma do PT, comandada pelo governador Tarso Genro, está tentando colocar em prática, no estado, o sonho que o partido acalenta há muitos anos: policiar, em todo o país, jornais, revistas e tevês que ousam discordar dos caminhos impostos ao país e/ou - pecado dos pecados!- denunciar os corruptos e corruptores que infestam a vida nacional há quase nove anos.
O nome do projeto muda, de acordo com a conveniência, com o momento. Mas a essência é a mesma: a velha e conhecida censura, uma prática comum aos regimes que se dizem 'socialistas, esquerdistas' e aos que se mostram 'direitistas'. Na verdade, todos são apenas ditatoriais, inimigos do pensamento livre, do contraditório. A grande marca que os une é a arbitrariedade, a presunção de estar representando o bem maior. E em quase todos os casos, comungam com a corrupção.
Quanto menor a liberdade, quanto maior o controle sobre a sociedade, mais fácil a prevelência do pensamento único, das propostas ditatoriais, mesmo que embaladas para presente, com lacinho rosa.
Estupidez 'acadêmica'
Um grupo de rapazes e moças da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, pelo menos aqueles que julgam defender os 'trabaliadores' - assim com i, no lugar do h -, deu mais uma demonstração da dimensão de seu desapego à democracia, à luta pelo direito das maiorias e ao respeito pelas instituições que bancam seus 'estudos'.
Já na madrugada, como nos conta o Estadão, cerca de 100 estudantes saíram de uma assembléia que decidiu pela desocupação do prédio e - derrotados democraticamente - partiram para invadir a reitoria, armados de paus, pedras e encapuzados.
Quebraram vidraças, derrubaram portas e realizaram outros atos de vandalismo, que para eles são sinônimo de luta de classe, defesa de um 'socialismo' que foi morto e sepultado, sem glórias nem honras, há vinte anos.
Esses jovens poderiam dar as mãos ao também derrotado grupelho da Universidade de Brasília que agrediu, com vaias e xingamentos, os novos dirigentes do Diretório Central dos Estudantes, eleitos pelo voto da maioria, como acontece em instituições livres.
São dois exemplos de intolerância, de estupidez de desacordo com os tais ideais que eles garantem defender, escondidos sob máscaras, como o fazem simples bandidos comuns, assaltantes. Os de São Paulo, de fato, flertam com o crime, ao defender o uso de drogas na área do campus universitário. Como se liberdade estivesse associada à ilegalidade.
Já na madrugada, como nos conta o Estadão, cerca de 100 estudantes saíram de uma assembléia que decidiu pela desocupação do prédio e - derrotados democraticamente - partiram para invadir a reitoria, armados de paus, pedras e encapuzados.
Quebraram vidraças, derrubaram portas e realizaram outros atos de vandalismo, que para eles são sinônimo de luta de classe, defesa de um 'socialismo' que foi morto e sepultado, sem glórias nem honras, há vinte anos.
Esses jovens poderiam dar as mãos ao também derrotado grupelho da Universidade de Brasília que agrediu, com vaias e xingamentos, os novos dirigentes do Diretório Central dos Estudantes, eleitos pelo voto da maioria, como acontece em instituições livres.
São dois exemplos de intolerância, de estupidez de desacordo com os tais ideais que eles garantem defender, escondidos sob máscaras, como o fazem simples bandidos comuns, assaltantes. Os de São Paulo, de fato, flertam com o crime, ao defender o uso de drogas na área do campus universitário. Como se liberdade estivesse associada à ilegalidade.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Desafiando o perigo
Vou me permitir discordar quase inteiramente - o que é raro, sou obrigado a admitir - de um texto exibido hoje na página de Veja. Ao abordar uma ação policial destinada a combater o uso inadequado dos trens suburbanos da SuperVia, a matéria esbarra no que talvez seja uma relativa falta de conhecimento do dia a dia desse mundo ferroviário, de sua história.
Veja afirma que os policiais, que agiram em parceria com agentes da empresa, exorbitaram ao prender alguns passageiros que impediam o fechamento das portas, pois - alega a revista - ninguém teria prazer em usar o próprio corpo nessa situação.
Talvez a revista jamais tenha ouvido falar em 'pingentes', personagens que fizeram parte da vida dos nossos (do Rio, ao menos) trens suburbanos durante décadas. É verdade, sim, que a superlotação e o calor favoreciam a prática, especialmente nos anos 1960 e 1970, quando a antiga Central do Brasil chegou a transportar o dobro dos passageiros de hoje. Mas os motivos não eram 'apenas' esses.
Havia, como ainda há, uma enorme dose de irresponsabilidade, de 'aventureirismo'. Ser 'pingente' era um desafio. Passar rente aos postes era motivo de comemorações - um deles, por derrubar vários incautos, chegou a ser 'batizado' de Belini, o zagueiro campeão do mundo em 1958 e 1962.
A inegável qualificação do serviço, a redução do número de passageiros e o policiamento ostensivo ajudaram a quase eliminar esse personagem. Mas ele continua vivo, por ignorância, quase sempre, ou por simples prazer de desafiar o perigo, exibição infantil.
E falo com relativo 'conhecimento de causa'. Fiz uma enorme reportagem, certa vez, ainda no velho O Jornal, ao lado do excelente fotógrafo Ubirajara Dettmar, sobre os perigos do dia a dia de um pingente. Andamos o dia todo, para cima e para baixo, desafiando os tais postes, em uma daquelas matérias interativas que marcaram o estilo da Ultima Hora dos anos 1960 e foram levadas para o O Jornal quando para lá se transferiu uma equipe comandada pelo jornalista Pinheiro Júnior. Fui, durante algum tempo, o 'Repórter OJ', como havia o 'Repórter UH'.
Não foi difícil, para mim. Afinal, passei minhas infância, adolescência e juventude - vividas no subúrbio de Marechal Hermes - usando os trens. E, não posso omitir, conhecia bem os atalhos do caminho, percorridos quando viajava na porta dos trens, pelo simples prazer de viajar ao vento, desafiando minha arrogância frente ao perigo.
Veja afirma que os policiais, que agiram em parceria com agentes da empresa, exorbitaram ao prender alguns passageiros que impediam o fechamento das portas, pois - alega a revista - ninguém teria prazer em usar o próprio corpo nessa situação.
Talvez a revista jamais tenha ouvido falar em 'pingentes', personagens que fizeram parte da vida dos nossos (do Rio, ao menos) trens suburbanos durante décadas. É verdade, sim, que a superlotação e o calor favoreciam a prática, especialmente nos anos 1960 e 1970, quando a antiga Central do Brasil chegou a transportar o dobro dos passageiros de hoje. Mas os motivos não eram 'apenas' esses.
Havia, como ainda há, uma enorme dose de irresponsabilidade, de 'aventureirismo'. Ser 'pingente' era um desafio. Passar rente aos postes era motivo de comemorações - um deles, por derrubar vários incautos, chegou a ser 'batizado' de Belini, o zagueiro campeão do mundo em 1958 e 1962.
A inegável qualificação do serviço, a redução do número de passageiros e o policiamento ostensivo ajudaram a quase eliminar esse personagem. Mas ele continua vivo, por ignorância, quase sempre, ou por simples prazer de desafiar o perigo, exibição infantil.
E falo com relativo 'conhecimento de causa'. Fiz uma enorme reportagem, certa vez, ainda no velho O Jornal, ao lado do excelente fotógrafo Ubirajara Dettmar, sobre os perigos do dia a dia de um pingente. Andamos o dia todo, para cima e para baixo, desafiando os tais postes, em uma daquelas matérias interativas que marcaram o estilo da Ultima Hora dos anos 1960 e foram levadas para o O Jornal quando para lá se transferiu uma equipe comandada pelo jornalista Pinheiro Júnior. Fui, durante algum tempo, o 'Repórter OJ', como havia o 'Repórter UH'.
Não foi difícil, para mim. Afinal, passei minhas infância, adolescência e juventude - vividas no subúrbio de Marechal Hermes - usando os trens. E, não posso omitir, conhecia bem os atalhos do caminho, percorridos quando viajava na porta dos trens, pelo simples prazer de viajar ao vento, desafiando minha arrogância frente ao perigo.
Aula de intolerância
"A nova diretoria do DCE da Universidade de Brasília (UnB) tomou posse nesta terça-feira sob protesto de alguns alunos. Primeiro grupo apartidário e não-esquerdista a comandar a entidade em cinco décadas de história, a Aliança pela Liberdade foi eleita na semana passada, derrotando sete concorrentes socialistas. Representantes de outros grupos políticos que compareceram à posse ofenderam integrantes da nova diretoria".
Reproduzi, acima, parte do texto que está na página da Veja. Normalmente, evito essa fórmula, nos meus comentários. Embora cite sempre a fonte da notícia avaliada, prefiro não usar transcrições, até mesmo em respeito ao autor.
Nesse caso, no entanto, acredito que é a maneira mais eficiente de exemplificar o mal que o radicalismo - de qualquer matiz - faz à democracia. A intolerância é a característica mais forte dos totalitários, dos defensores do pensamento único, dos que defendem a ausência do contraditório, dos que não aceitam a prevalência da vontade das maiorias.
Fico pensando no que esses jovens tão deturpados estariam fazendo, caso houvesse ocorrido o inverso. Imaginem um grupo liberal vaiando e agredindo dirigentes de 'esquerda' (seja lá o que isso for) que tivesem ganho uma eleição.
Se o Brasil depender desses 'líderes' estudantis, vai trilhar um longo caminho para o atraso. Esses jovens que xingam e vaiam colegas que venceram uma disputa limpa e livre, não têm o menor compromisso com a liberdade, com o amadurecimento político que empurra as nações para frente.
Reproduzi, acima, parte do texto que está na página da Veja. Normalmente, evito essa fórmula, nos meus comentários. Embora cite sempre a fonte da notícia avaliada, prefiro não usar transcrições, até mesmo em respeito ao autor.
Nesse caso, no entanto, acredito que é a maneira mais eficiente de exemplificar o mal que o radicalismo - de qualquer matiz - faz à democracia. A intolerância é a característica mais forte dos totalitários, dos defensores do pensamento único, dos que defendem a ausência do contraditório, dos que não aceitam a prevalência da vontade das maiorias.
Fico pensando no que esses jovens tão deturpados estariam fazendo, caso houvesse ocorrido o inverso. Imaginem um grupo liberal vaiando e agredindo dirigentes de 'esquerda' (seja lá o que isso for) que tivesem ganho uma eleição.
Se o Brasil depender desses 'líderes' estudantis, vai trilhar um longo caminho para o atraso. Esses jovens que xingam e vaiam colegas que venceram uma disputa limpa e livre, não têm o menor compromisso com a liberdade, com o amadurecimento político que empurra as nações para frente.
Mulheres do Brasil
Se a pesquisa sobre desigualdade entre sexos - realizada pelo World Economic Forum e divulgada pelo Estadão - fosse realizada, por aqui, apenas nas redações de jornais, revistas e tevês, certamente a posição brasileira seria bem mais digna do que o 82º lugar que ostentou no mundo (último nas Américas), atrás de Gâmbia e da Albânia.
Nessa área do pensamento - e isso é inegável -, a discriminação absurda praticamente não é sentida. E isso não é um fenômeno recente. A partir da - digamos - abertura das redações, nos anos 1960, a mulher vem ocupando cada vez mais espaços. Hoje, rivaliza com os homens e, em determinadas áreas, lidera com certa comodidade. Basta ver os expedientes dos nossos jornais.
Grandes jornalistas - como Elza Marzullo, Ana Arruda e a minha amiga Stela Latcher (já não está entre nós), que foi minha chefe de reportagem durante algum tempo, no antigo O Jornal, praticamente abriram o caminho para as novas gerações. Em O Globo, nos meus anos 1970, havia várias profissionais que já brilhavam e as que viriam a brilhar na profissão, como Margarida Autran, Amélia Gonzalez, Silvia Costa e Belisa Ribeiro, para citar apenas quatro entre muitas outras.
No Jornal do Brasil do início dos anos 1980 a 2000 (estou me referindo apenas aos momentos que eu vivi), havia uma geração brilhante, com destaque para Regina Zappa (a editora que eu nunca tive e sempre desejei), Mírian Leitão, Ruth de Aquino, Iesa Rodrigues, Beth Orsini, Cristina Calmon, Luciana Villas-Boas, Bela Stall, Terezinha Costa e Angela Santangelo (essas duas últimas, minhas chefes na editoria de Ciências). Sem falar na ótima equipe do velho Caderno B, repleta de ótimas repórteres, e nas jovens (Vera Araújo é um dos bons exemplos dessa geração) que despontaram na 'Geral' e que brilham, hoje, principalmente, nas páginas de O Globo.
Nessa área do pensamento - e isso é inegável -, a discriminação absurda praticamente não é sentida. E isso não é um fenômeno recente. A partir da - digamos - abertura das redações, nos anos 1960, a mulher vem ocupando cada vez mais espaços. Hoje, rivaliza com os homens e, em determinadas áreas, lidera com certa comodidade. Basta ver os expedientes dos nossos jornais.
Grandes jornalistas - como Elza Marzullo, Ana Arruda e a minha amiga Stela Latcher (já não está entre nós), que foi minha chefe de reportagem durante algum tempo, no antigo O Jornal, praticamente abriram o caminho para as novas gerações. Em O Globo, nos meus anos 1970, havia várias profissionais que já brilhavam e as que viriam a brilhar na profissão, como Margarida Autran, Amélia Gonzalez, Silvia Costa e Belisa Ribeiro, para citar apenas quatro entre muitas outras.
No Jornal do Brasil do início dos anos 1980 a 2000 (estou me referindo apenas aos momentos que eu vivi), havia uma geração brilhante, com destaque para Regina Zappa (a editora que eu nunca tive e sempre desejei), Mírian Leitão, Ruth de Aquino, Iesa Rodrigues, Beth Orsini, Cristina Calmon, Luciana Villas-Boas, Bela Stall, Terezinha Costa e Angela Santangelo (essas duas últimas, minhas chefes na editoria de Ciências). Sem falar na ótima equipe do velho Caderno B, repleta de ótimas repórteres, e nas jovens (Vera Araújo é um dos bons exemplos dessa geração) que despontaram na 'Geral' e que brilham, hoje, principalmente, nas páginas de O Globo.
Um personagem do futebol
Todos os que acompanham o Vasco há tantos anos, como eu, guardam boas lembranças de Eduardo Santana, o 'Pai Santana', massagista desde sempre, um personagem identificado com o clube e com a torcida. Antes dos jogos, repetia sempre o mesmo ritual: ajoelhado, beijava a bandeira, que esticava no gramado. Doente há algum tempo, Santana morreu hoje, aos 77 anos. A charge que reproduzo acima, foi feita por Jorge Ivan, um artista e velho amigo do O Jornal, para ilustrar a reportagem sobre a conquista vascaína de 1970. Recebi, na época, uma cópia especil, com direito a dedicatória. Santana já estava lá.
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