Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), num comunicado inócuo, condenou o que considera "violações aos direitos humanos e o uso da força contra civis pelas autoridades sírias". Isso, dois dias após mais um massacre perpetrado pelas forças armadas, fieis ao presidente Bashar al-Assad. Segundo dissidentes sírios, foram mortos, nos últimos enfrentamentos, mais de 1 mil pessoas. Com essa saída 'diplomática', a ONU atendeu às exigências da Rússia e da China, que não admitem qualquer intervenção. A posição brasileira - embora menos lamentável do que no governo passado - também é muito semelhante à dessas duas potências, marcadas por um histórico de arbitrariedades.
Dominada por um regime muito mais forte do que o que sucumbiu no Egito, a Síria vem evitando, através de uma repressão duríssima, que o movimento por liberdade assuma os contornos registrados na Líbia, onde o ditador Muamar Kadafi esteve muito perto de ser deposto e/ou assassinado. Ou que a onda popular leve seus dirigentes ao banco dos réus, como aconteceu hoje com o ex-ditador egípcio Osni Mubarak.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Governo atropela CPI
O 'chega para lá' que parte da base governista esboçou, garantindo provisoriamente as assinaturas necessárias à instação da CPI do DNIT no Senado, ao que tudo indica, rendeu os frutos esperados. Não demorou muito para o Palácio do Planalto entrar em ação e, com um vigor invejável, atropelar os propósitos da oposição. Os senadores companheiros retiraram suas assinaturas, com o apoio de um 'nobre' figurante do PSDB de Roraima, o suplente em atividade Ataídes Oliveira.
O sem-voto justificou o recuo alegando que o titular do cargo, João Ribeiro, desse incrível Partido da República, fez marcação por pressão, exigindo a retirada do apoio e lembrando que voltará à Casa em um mês. Segundo a Folha, João Ribeiro admitiu que entrou de sola no direito à livre manifestação do seu reserva a pedido da presidente Dilma Roussef.
Paralelamente, o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM), marcou sua volta ao Senado com um discurso em que negou tudo e se disse indignado com as notícias sobre o sucesso empresarial do filho, cuja empresa, em cinco anos, saiu de um capital de apenas R$ 50 mil para fabulosos R$ 53 mihões. Segundo ele - que acusou um radialista de Manaus pela divulgação dos números -, ninguém lembrou de falar no passivo da empresa, que teria chegado a R$ 52 milhões. De qualquer modo, não deixa de ser um sinal de sucesso e empreendedorismo. Não é qualquer um que movimento essa quantia.
Além de Nascimento, outros dignatários do PR exibiram sua insatisfação com o avanço governista no Ministério e aventaram a hipótese de até romper com o Governo, algo bastante improvável.
O sem-voto justificou o recuo alegando que o titular do cargo, João Ribeiro, desse incrível Partido da República, fez marcação por pressão, exigindo a retirada do apoio e lembrando que voltará à Casa em um mês. Segundo a Folha, João Ribeiro admitiu que entrou de sola no direito à livre manifestação do seu reserva a pedido da presidente Dilma Roussef.
Paralelamente, o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM), marcou sua volta ao Senado com um discurso em que negou tudo e se disse indignado com as notícias sobre o sucesso empresarial do filho, cuja empresa, em cinco anos, saiu de um capital de apenas R$ 50 mil para fabulosos R$ 53 mihões. Segundo ele - que acusou um radialista de Manaus pela divulgação dos números -, ninguém lembrou de falar no passivo da empresa, que teria chegado a R$ 52 milhões. De qualquer modo, não deixa de ser um sinal de sucesso e empreendedorismo. Não é qualquer um que movimento essa quantia.
Além de Nascimento, outros dignatários do PR exibiram sua insatisfação com o avanço governista no Ministério e aventaram a hipótese de até romper com o Governo, algo bastante improvável.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Uma pedrada no DNIT
O que parecia impossível, há alguns dias, aconteceu. A oposição conseguiu o número de assinaturas de senadores necessárias - vinte e sete, um terço do total de 81 - à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito do DNIT. É uma retaliação, não há a menor dúvida. Uma espécie de 'aviso aos navegantes' do Lago Paranoá. A CPI só será instalada graças à adesão de alguns senadores da base governamental, em especial do PDT e do PP. Uma retalização muito bem-vinda, no entanto.
Vai ser difícil provar alguma coisa, já se sabe de antemão. O recurso ao silêncio - largamente usado na CPI do Mensalão - e as intervenções dos senadores governistas podem inviabilizar as investigações, mas há sempre a possibilidade de uma revelação, como a do publicitário Duda Mendonça, que confessou, aos prantos, que recebera pagamento irregular pelo trabalho na campanha eleitoral do então presidente Lula.
Além desses fatores, há o risco da teatralização, muito comum nos nossos representantes políticos, capaz de desmoralizar um trabalho que pode ajudar a desmontar o enorme esquema de corrupção montado em torno do Poder como um todo, e não apenas no Ministério dos Transportes.
Vai ser difícil provar alguma coisa, já se sabe de antemão. O recurso ao silêncio - largamente usado na CPI do Mensalão - e as intervenções dos senadores governistas podem inviabilizar as investigações, mas há sempre a possibilidade de uma revelação, como a do publicitário Duda Mendonça, que confessou, aos prantos, que recebera pagamento irregular pelo trabalho na campanha eleitoral do então presidente Lula.
Além desses fatores, há o risco da teatralização, muito comum nos nossos representantes políticos, capaz de desmoralizar um trabalho que pode ajudar a desmontar o enorme esquema de corrupção montado em torno do Poder como um todo, e não apenas no Ministério dos Transportes.
Menino, cala a boca!
O senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do Governo no Senado, fez exatamente o que se previa: em uma tentativa simplória de abafar a crise provocada pelas denúncias de corrupção no Ministério da Agricultura, feitas pelo irmão, Oscar Jucá Neto, demitido da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pediu desculpas à presidente Dilma Roussef pelo problema causado pelo parente.
E saiu do encontro matinal no Palácio do Planalto como se tudo estivesse resolvido e o irmão fosse apenas um idiota de babar na gravata, e não o ex-dirigente de uma empresa apontada como foco de corrupção. As acusações - o PMDB, do irmão e do ministro Wagner Rossi teria transformado a pasta em um "balcão de negócios e onde só havia bandidos" - foram descartadas, quando deveriam ser apuradas detalhadamente.
Fico imaginando o enorme trabalho de convencimento para fechar a boca a que deve estar sendo submetido o demitido Oscar Jucá Neto. Semelhante, talvez, ao efetuado com outro dirigente afastado recentemento, ex-diretor do DNIT, Luis Antonio Pagot, que recolheu as armas que apontara para o esquema de roubalheira que envolve o Ministério dos Transportes e que continua provocando defecções.
Pagot, ao final, embora destituído, saiu prestigiado e elogiado. Jucá Neto, que também fora demitido, após a revista Veja ter divulgado denúncia sobre pagamento ilegal de R$ 8 milhões a uma empresa de um sem-teto de Brasília, no entanto, explodiu. Sentindo-se vítima de 'fogo interno' (a informação foi passada à revista por alguém do próprio ministério), usou a mesma Veja para atirar, surpreendendo, ao que parece, o próprio irmão e, por tabela, o Governo, já alvejado por seguidas denúncias, que incluem, ainda os Ministérios do Exército e o das Cidades.
E saiu do encontro matinal no Palácio do Planalto como se tudo estivesse resolvido e o irmão fosse apenas um idiota de babar na gravata, e não o ex-dirigente de uma empresa apontada como foco de corrupção. As acusações - o PMDB, do irmão e do ministro Wagner Rossi teria transformado a pasta em um "balcão de negócios e onde só havia bandidos" - foram descartadas, quando deveriam ser apuradas detalhadamente.
Fico imaginando o enorme trabalho de convencimento para fechar a boca a que deve estar sendo submetido o demitido Oscar Jucá Neto. Semelhante, talvez, ao efetuado com outro dirigente afastado recentemento, ex-diretor do DNIT, Luis Antonio Pagot, que recolheu as armas que apontara para o esquema de roubalheira que envolve o Ministério dos Transportes e que continua provocando defecções.
Pagot, ao final, embora destituído, saiu prestigiado e elogiado. Jucá Neto, que também fora demitido, após a revista Veja ter divulgado denúncia sobre pagamento ilegal de R$ 8 milhões a uma empresa de um sem-teto de Brasília, no entanto, explodiu. Sentindo-se vítima de 'fogo interno' (a informação foi passada à revista por alguém do próprio ministério), usou a mesma Veja para atirar, surpreendendo, ao que parece, o próprio irmão e, por tabela, o Governo, já alvejado por seguidas denúncias, que incluem, ainda os Ministérios do Exército e o das Cidades.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Publicidade e realidade
Duas notícias sobre gastos do Governo do Estado do Rio de Janeiro exibem um perfil não muito favorável da atual administração. Segundo o Estadão, com base em dados oficiais, as despesas com publicidade no primeiro mandato de Sérgio Cabral, de 2007 a 2010, chegaram a R$ 163, 4 milhões, 35% a mais do que sua antecessora no cargo, Rosinha Garotinho, descontada a inflação.
Já O Globo informa que o estado decidiu dar um aumento de 3,5% para seus professores, ainda em greve. Considerando-se que o professor estadual do Rio de Janeiro é um dos mais mal pagos do país - em torno de R$ 800 líquidos para os iniciantes -, podemos concluir que esse percentual vai resultar apenas em alguns trocados, insuficientes para amenizar a situação de penúria do magistério.
Esses números mostram que alguma coisa está errada na lista de prioridades oficiais. Há pouco tempo, convivemos com a revolta dos bombeiros, apoiada por policiais militares. Médicos e servidores da área de saúde em geral reclamam do salário irrisório, desestimulante por si só. Os professores continuam em greve. Há, constata-se, uma enorme diferença entre o real e o imaginado pelas agências de publicidade e propaganda.
Já O Globo informa que o estado decidiu dar um aumento de 3,5% para seus professores, ainda em greve. Considerando-se que o professor estadual do Rio de Janeiro é um dos mais mal pagos do país - em torno de R$ 800 líquidos para os iniciantes -, podemos concluir que esse percentual vai resultar apenas em alguns trocados, insuficientes para amenizar a situação de penúria do magistério.
Esses números mostram que alguma coisa está errada na lista de prioridades oficiais. Há pouco tempo, convivemos com a revolta dos bombeiros, apoiada por policiais militares. Médicos e servidores da área de saúde em geral reclamam do salário irrisório, desestimulante por si só. Os professores continuam em greve. Há, constata-se, uma enorme diferença entre o real e o imaginado pelas agências de publicidade e propaganda.
De olho em 2014
Segundo O Globo, o PSDB, seguindo projeto do senador Aécio Neves, está se preparando para entrar no mundo dos sindicatos, pelas mãos da Força Sindical. Essa nova fase já tem data para começar: dia 20 de agosto, em Minas Gerais, onde deve acontecer uma filiação "em massa" de sindicalistas, quase todos oriundos do PDT de Paulo Pereira, o Paulinho, presidente nacional da entidade.
Na prática, estaria se configurando um bloco político-sindical (PDDB-Força) para tentar se antepor ao atual grupo hegemônico, formado pela parceria PT-CUT. O foco? As eleições de 2014, é claro. E as benesses decorrentes de uma eventual vitória.
Na teoria, o PSDB estaria 'se aproximando' das bases, suprindo uma deficiência. Na prática, no entanto, é apenas mais uma manobra eleitoreira difícil de explicar.
Na prática, estaria se configurando um bloco político-sindical (PDDB-Força) para tentar se antepor ao atual grupo hegemônico, formado pela parceria PT-CUT. O foco? As eleições de 2014, é claro. E as benesses decorrentes de uma eventual vitória.
Na teoria, o PSDB estaria 'se aproximando' das bases, suprindo uma deficiência. Na prática, no entanto, é apenas mais uma manobra eleitoreira difícil de explicar.
Não há paz no Oriente Médio
Os conflitos políticos no Oriente Médio voltaram a ocupar um lugar de destaque no noticiário internacional, especialmente em função dos últimos incidentes na Síria, onde tropas do governo teriam matado ao em torno de 150 pessoas em dois dias de conflito com manifestantes contrários ao presidente Bashar al-Assad.
Na Líbia do também ditador Muamar Kadafi, apesar da intervenção dos organismos internacionais, os confrontos continuam, sem que se vislumbre um resultado a curto prazo. Kadafi sangrou, literalmente, ao que consta, mas vem conseguindo resistir à onda de revolta que atinge o país há vários meses.
No Egito, que vivia uma espécie de paz controlada, após a derrubada do ditador Hosni Mubarak, novas manifestações de insatisfação foram registradas no fim de semana. O governo transitório, dominado pelos militares, é acusado de retardar a implantação das reformas exigidas pela população.
Há uma grande expectativa no país quanto ao começo do julgamento do ex-ditador e de um grupo de auxiliares diretos, acusados de usar força excessiva contra manifestantes (morreram mais de 800 pessoas), marcado para depois de amanhã e que deverá ser transmitido ao vivo pela televisão egípcia.
Esse conjunto mostra claramente que a região está longe da paz e exibe, paralelamente, a pouca eficácia das decisões tomadas pela ONU e a divisão entre as grandes potências que fazem parte do Conselho de Segurança quanto às medidas que devem ser tomadas.
O mundo, assustado com a crise econômica que ameaça até mesmo os Estados Unidos, havia esquecido o sofrimento e a violência que ainda persistem no Oriente Médio. O último massacre sírio reacendeu nossa memória recente.
Na Líbia do também ditador Muamar Kadafi, apesar da intervenção dos organismos internacionais, os confrontos continuam, sem que se vislumbre um resultado a curto prazo. Kadafi sangrou, literalmente, ao que consta, mas vem conseguindo resistir à onda de revolta que atinge o país há vários meses.
No Egito, que vivia uma espécie de paz controlada, após a derrubada do ditador Hosni Mubarak, novas manifestações de insatisfação foram registradas no fim de semana. O governo transitório, dominado pelos militares, é acusado de retardar a implantação das reformas exigidas pela população.
Há uma grande expectativa no país quanto ao começo do julgamento do ex-ditador e de um grupo de auxiliares diretos, acusados de usar força excessiva contra manifestantes (morreram mais de 800 pessoas), marcado para depois de amanhã e que deverá ser transmitido ao vivo pela televisão egípcia.
Esse conjunto mostra claramente que a região está longe da paz e exibe, paralelamente, a pouca eficácia das decisões tomadas pela ONU e a divisão entre as grandes potências que fazem parte do Conselho de Segurança quanto às medidas que devem ser tomadas.
O mundo, assustado com a crise econômica que ameaça até mesmo os Estados Unidos, havia esquecido o sofrimento e a violência que ainda persistem no Oriente Médio. O último massacre sírio reacendeu nossa memória recente.
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