O ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, está quase no ponto de ser servido à população e perder seu segundo cargo do primeiro escalão por algo que poderíamos classificar de 'conduta não-republicana'. A dedução é minha, mas as indicações estão nas entrelinhas das últimas 'declarações' do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o encarregado de dar os recados de interesse do Governo.
Segundo notícias divulgadas nos principais sites, entre eles o da Veja, o acusado de ser o ex-carregador de propinas pagas ao PT por empresas de ônibus (de acordo com a Justiça de São Paulo) admitiu que Palocci não está em boa situação, mas que continua firme. Se fosse um técnico de futebol, poderíamos concluir que ele está 'prestigiado', um sinônimo para quase desempregado.
Além disso, Palocci - que não vai receber o apoio incondicional do PT, como era pleiteado - já teria recebido 'orientações' da presidente Dilma para falar, dar explicações sobre seu enriquecimento. O Governo, a essa altura do escândalo, quer deixar claro que não tem nada a ver com o fabuloso sucesso empresarial do seu principal ministro.
Considerando as palavras do ministro Gilberto Carvalho, Palocci vai dar explicações "muito em breve". Mas ainda não há data marcada: "Eu não posso dizer que é hoje porque não deve ser hoje, mas será muito brevemente. Ele está escolhendo a forma", disse o secretário da Presidência aos jornalistas que foram cobrir o lançamento do mais novo factóide governamental: o programa "Brasil sem pobreza".
Fico imaginando o que quer dizer a expressão "escolhendo a forma", empregada por Gilberto Carvalho. Só há uma forma possível, ministro: dizer a verdade.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Mortes não comovem a CUT
"Mais um assentado é morto no Pará, em Eldorado do Carajás". A manchete é do site de O Globo. Foi o quinto assassinato em poucas semanas. Todos envolvendo assentados, assentamentos e crime ambiental. Imaginem, agora, o que estaria acontecendo nesse país se o governo não estivesse com o PT há oito anos e meio.
Em escala nacional, talvez estivéssemos vivendo o caos imposto aos moradores das cidades do chamado Grande ABC, pela CUT - braço sindical do PT -, através dos sindicatos dos ferroviários e rodoviários. Os ferroviários, por sinal, foram obrigados pela Justiça do Trabalho e retornarem às suas atividades, mas se recusaram a acatar a determinação.
Os rodoviários, especialmente em Santo André, atacaram ônibus que estavam circulando, quebraram vidros e carregaram as chaves de ignição, em mais uma demonstração brutal de desrespeito ao direito.
É assim que a CUT age em estados e municípios administrados por opositores. Afinal, seus gestores precisam justificar as benesses recebidas do governo federal.
Em tempo: alguém soube de qualquer manifestação contra a 'privataria' dos aeroportos e, progressivamente, da exploração das bacias de petróleo?
Em escala nacional, talvez estivéssemos vivendo o caos imposto aos moradores das cidades do chamado Grande ABC, pela CUT - braço sindical do PT -, através dos sindicatos dos ferroviários e rodoviários. Os ferroviários, por sinal, foram obrigados pela Justiça do Trabalho e retornarem às suas atividades, mas se recusaram a acatar a determinação.
Os rodoviários, especialmente em Santo André, atacaram ônibus que estavam circulando, quebraram vidros e carregaram as chaves de ignição, em mais uma demonstração brutal de desrespeito ao direito.
É assim que a CUT age em estados e municípios administrados por opositores. Afinal, seus gestores precisam justificar as benesses recebidas do governo federal.
Em tempo: alguém soube de qualquer manifestação contra a 'privataria' dos aeroportos e, progressivamente, da exploração das bacias de petróleo?
Uma aventura caribenha - Capítulo 30
Pôr-do-sol no Rio Amazonas, a caminho de Belém
Quinta-feira, 12/08/1999 - Uma agradável rotina
Rio Amazonas - Mudou o rio, mudou o empurrador, mudou a tripulação. Mas a rotina é a mesma. Até mesmo o modo pitoresco de a cozinheira convocar para as refeições: três apitos estridentes, como no fim de uma partida de futebol.
O dia na nossa balsa também começa e acaba cedo. O café da manhã, na verdade uma pequena refeição, sai antes das sete horas. Às dez e meia, lá vem o apitaço do almoço. Às cinco da tarde, jantar. O cardápio, aqui no Rio Amazonas, a bordo do empurrador NE XXII, é praticamente o mesmo do servido no Rio Madeira por 'dona' Creusa, cozinheira do NM XXVI. Só mudou um pouco o tempero, orgulho de Meire, uma amazonense de apenas 23 anos e uma longa história de dor, semelhante à de milhares de jovens desse país, especialmente nesse canto do Brasil.
Há, sempre, feijão, arroz, macarrão e farinha grossa. O acompanhamento varia entre peixe da região, galinha e carne (hoje, por exemplo, almoçamos bife com batatas fritas).
A grande, enorme, diferença está na paisagem. O horizonte do Rio Amazonas é, de fato, avassalador. Desde que passamos por Santarém, a sensação de força que vem das águas barrentas é muito marcante.
As margens ficaram cada vez mais distantes. Há trechos em que é difícil definir a paisagem. Mesmo com nossa balsa navegando quase sempre pelo canal central. De vez em quando uma surpresa, como agora mesmo. Uma centena de pássaros voando em varias linhas, a não mais do que um metro acima da superfície do rio, a uma velocidade superior aos exatos 23 km/h da nossa balsa (marca conferida no GPS).
Uma política estúpida
Embora com reconhecido atraso, vou abordar um dos temas que andaram em destaque nos últimos dias: a tentativa de escamotear o passado, elaborada pelo presidente do Senado, José Sarney, ao eliminar a cassação do ex-presidente Collor da memória da Casa. Uma tentativa frustrada pela denúncia e pelo repúdio que provocou na sociedade.
Nesse caso - raro, tenho que admitir -, sou forçado a 'absolver' o maior sobrevivente da história política recente do país. Sarney não inovou. Ao contrário. Se comparada à escalada de fatos que acompanharam a redenção de Collor, sua iniciativa pode ser considerada simplória, menor.
O grande responsável pela reabilitação do homem escorraçado do poder foi - sem a menor dúvida - o ex-presidente Lula. Sarney 'apenas' seguiu o script de um dos capítulos mais vergonhosos da recente saga petista. Sem o menor constrangimento ou pudor, Lula cansou de afagar o inimigo que ele ajudou a destruir, com citações públicas e elogios de corpo presente.
De vilão, Collor passou a ser o aliado de toda a hora, cabo eleitoral sempre disposto a pregar nos rincões alagoanos, dividindo palanques em comícios e campanhas publicitárias. Os impropérios foram esquecidos, assim como todas as denúncias e baixarias do embate pela presidência da República, vencido pelo 'caçador de marajás'.
"É a política, estúpido", poderia alguém me contestar, parodiando citação que ficou famosa. É verdade. É a mesma política que leva o Governo e seus aliados, entre eles os antigos rivais Collor e Sarney, a usarem todos os artifícios e armas à disposição para impedir que o ministro Antonio Palocci preste contas à sociedade. Uma política estúpida.
Nesse caso - raro, tenho que admitir -, sou forçado a 'absolver' o maior sobrevivente da história política recente do país. Sarney não inovou. Ao contrário. Se comparada à escalada de fatos que acompanharam a redenção de Collor, sua iniciativa pode ser considerada simplória, menor.
O grande responsável pela reabilitação do homem escorraçado do poder foi - sem a menor dúvida - o ex-presidente Lula. Sarney 'apenas' seguiu o script de um dos capítulos mais vergonhosos da recente saga petista. Sem o menor constrangimento ou pudor, Lula cansou de afagar o inimigo que ele ajudou a destruir, com citações públicas e elogios de corpo presente.
De vilão, Collor passou a ser o aliado de toda a hora, cabo eleitoral sempre disposto a pregar nos rincões alagoanos, dividindo palanques em comícios e campanhas publicitárias. Os impropérios foram esquecidos, assim como todas as denúncias e baixarias do embate pela presidência da República, vencido pelo 'caçador de marajás'.
"É a política, estúpido", poderia alguém me contestar, parodiando citação que ficou famosa. É verdade. É a mesma política que leva o Governo e seus aliados, entre eles os antigos rivais Collor e Sarney, a usarem todos os artifícios e armas à disposição para impedir que o ministro Antonio Palocci preste contas à sociedade. Uma política estúpida.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
PT tenta livrar Palocci de convocação. Ou: deixem o homem falar
Um daqueles casuísmos proporcionou, hoje, segundo os principais sites de notícias, a tão esperada convocação do ministro Antonio Palocci para prestar contas de sua exuberante performance financeira nos últimos quatro anos. Os responsáveis por esse drible na marcação cerrada do Planalto foram os membros da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, presidida pelo deputado Lima Maia (DEM-PA).
Quando se deu conta da enrascada, o PT entrou em pânico e tentou melar a votação, argumentando que ela foi fraudada. Não deu certo. Agora, petistas e governo (no fundo, a mesma coisa) vão recorrer da decisão, na esperança de revertê-la.
Mais uma vez fica constatada a enorme preocupação em proteger o ministro, evitar que ele seja obrigado a detalhar sua evolução patrimonial. Mas se não há o que esconder - como pregam Palocci e a companheirada -, por que bloquear a convocação?
Deixem o homem falar, explicar como alguém ganha R$ 1 milhão de comissão em apenas uma consultoria, segundo revelou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), em mais uma de suas desastradas (para o PT, é claro) atuações.
Quando se deu conta da enrascada, o PT entrou em pânico e tentou melar a votação, argumentando que ela foi fraudada. Não deu certo. Agora, petistas e governo (no fundo, a mesma coisa) vão recorrer da decisão, na esperança de revertê-la.
Mais uma vez fica constatada a enorme preocupação em proteger o ministro, evitar que ele seja obrigado a detalhar sua evolução patrimonial. Mas se não há o que esconder - como pregam Palocci e a companheirada -, por que bloquear a convocação?
Deixem o homem falar, explicar como alguém ganha R$ 1 milhão de comissão em apenas uma consultoria, segundo revelou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), em mais uma de suas desastradas (para o PT, é claro) atuações.
Sobre suores e beijos
Desisti, definitivamente, de prestar atenção a um detalhe, especialmente nas séries de tevê. Ninguém, mas ninguém mesmo, lava as mãos antes de sentar à mesa, para fazer as refeições. Os personagens chegam em casa, depois de um dia inteiro na rua (alguns, em trabalhos bem sujos), vão tirando casacos e atacando a comida. É um tal de "passa o pão" aqui; "me dá o queijo"; "atravessa a carne e o purê". Tudo com a mãos que abriram portas, seguraram volantes, afagaram animais de estimação, tiraram meleca.
Escovar os dentes? Só em casos excepcionais, quando a cena exige um diálogo no quarto. Diálogo, mesmo. Todo mundo acorda pela manhã - ou no meio da noite - com boca de pasta de dente, pronta para beijos ardentes. Não há bafo nem bafudos em Hollywood e semelhantes.
Isso, para ficar em fatos que podemos chamar de superficiais. Os casos mais ardentes também ignoram cheiros, suores e eventuais depósitos gordurosos, mais ou menos fortes. Antes e depois. Nem mesmo um prosaico chuveirinho. É tirar a roupa - quando dá tempo -, 'fazer', recolocar calças, saias e blusas, passar as mãos no cabelo e ir à luta.
O glamour dispensa cuidados.
Escovar os dentes? Só em casos excepcionais, quando a cena exige um diálogo no quarto. Diálogo, mesmo. Todo mundo acorda pela manhã - ou no meio da noite - com boca de pasta de dente, pronta para beijos ardentes. Não há bafo nem bafudos em Hollywood e semelhantes.
Isso, para ficar em fatos que podemos chamar de superficiais. Os casos mais ardentes também ignoram cheiros, suores e eventuais depósitos gordurosos, mais ou menos fortes. Antes e depois. Nem mesmo um prosaico chuveirinho. É tirar a roupa - quando dá tempo -, 'fazer', recolocar calças, saias e blusas, passar as mãos no cabelo e ir à luta.
O glamour dispensa cuidados.
Haddad 'absolve' Stalin
Não li, pelo menos nos três principais jornais do país. Mas ouvi, ontem à noite, em um programa de debates da Globo News, mediado pela jornalista Monica Waldvogel. O incrível ministro da Educação, Fernando Haddad, teria dito - na tal reunião da Comissão do Senado que discutiu as impropriedades do livro didático que defende o uso de expressões 'adequadas' da língua portuguesa - que as críticas à publicação remetem à intolerância de Hitler e Stalin. Com uma atenuante para o genocida comunista: "Pelo menos Stalin lia os livros antes de matar os autores".
É isso mesmo. Matar, depois de ler, seria algo razoável, na visão desse emérito educador, também conhecido como o 'assassino de enems', ou defensor perpétuo da linguagem lulo-petista, aquela que afoga plurais, enforca concordâncias e fuzila a lógica.
Haddad vem se mostrando, a cada momento, que é a pessoa errada no lugar menos indicado. Mas não fica sozinho nesse ministério de luminares, cuja estrela maior é o ínclito ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Ao seu lado, brilham personagens tais como o ministro do Turismo, Pedro Novaes (aquele que gastou uma boa grana pública num motel em São Luís); o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho (acusado de envolvimento em transporte de propina para o PT); Moreira Franco (Assuntos Estratégicos); e Ideli Salvatti, ministra da ... Pesca (alguém lembra disso?), entre outros quetais.
É isso mesmo. Matar, depois de ler, seria algo razoável, na visão desse emérito educador, também conhecido como o 'assassino de enems', ou defensor perpétuo da linguagem lulo-petista, aquela que afoga plurais, enforca concordâncias e fuzila a lógica.
Haddad vem se mostrando, a cada momento, que é a pessoa errada no lugar menos indicado. Mas não fica sozinho nesse ministério de luminares, cuja estrela maior é o ínclito ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Ao seu lado, brilham personagens tais como o ministro do Turismo, Pedro Novaes (aquele que gastou uma boa grana pública num motel em São Luís); o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho (acusado de envolvimento em transporte de propina para o PT); Moreira Franco (Assuntos Estratégicos); e Ideli Salvatti, ministra da ... Pesca (alguém lembra disso?), entre outros quetais.
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