Imunidade. Não por acaso, essa palavra - que é esgrimida a todo o momento - rima com impunidade. Num momento, é o deputado falastrão ou o senador flagrado em alguma atitude não muito republicana. No outro, é o juiz bêbado que atropela e mata. Quase sempre são os políticos em geral, corporativistas sempre dispostos a encontrar brechas legais para encobrir os malfeitos de seus pares.
Um instrumento que deveria servir à consolidação da democracia - justamente por ampliar a independência de dois poderes fundamentais, Judiciário e Legislativo - vem servindo, cada vez mais, como escudo para ações deletérias, ampliando a sensação de desigualdade e a falta de confiança em dois dos referenciais de qualquer nação que se pretende digna.
Desacreditados, Judiciário e Legislativo não têm como se impor e frear as eventuais ações imperiais do Executivo. A contrário. Pelo descrédito que acumulam, alimentam a irresponsabilidade dos administradores de projetos pessoais e partidários.
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Olha a falência aí outra vez ....
Eu quase deixei de lado. Não é a primeira vez e não será a última, certamente. Mas a crítica aos serviços prestados pela Polícia Federal na emissão de passaportes (postagem anterior) me levou naturalmente a não perdoar mais essa falha da operadora Oi: aqui na Pedra, ficamos sem o Velox o dia inteiro. Quem não pôde esperar, se viu na iminência de ser obrigado a enviar suas mensagens pelos motoristas do 882, torcendo para a Serra da Grota Funda não estar engarrafada, como vem acontecendo nos últimos tempos. Definitivamente etc etc etc.
Falência de serviços
O assunto é até recorrente. Mas assume outra dimensão quando invade nossos domínios, chega na sala, envolve nossos amigos, filhos. A falência do sistema de concessão de passaportes é de causar vergonha a qualquer um. Como explicar a alguém, de um país sério, que a Polícia Federal está levando quase três meses para expedir um documento que é obrigatório?
Ninguém solicita um passaporte por prazer, gosto ou curtição. A obrigatoriedade exige, no mínimo, presteza, especialmente porque é um serviço pago. Além de obrigar que um candidato a viajante programe sua vida com uma antecedência injustificável, a Polícia Federal não garante o atendimento na hora marcada. A espera, em salas inadequadas, tem levado algumas horas.
Há os casos excepcionais, é verdade. Se sua mãe morrer em outro país, você será atendido em uns três dias. Definitivamente, a prestação de serviços públicos não é levada a sério no Brasil.
Ninguém solicita um passaporte por prazer, gosto ou curtição. A obrigatoriedade exige, no mínimo, presteza, especialmente porque é um serviço pago. Além de obrigar que um candidato a viajante programe sua vida com uma antecedência injustificável, a Polícia Federal não garante o atendimento na hora marcada. A espera, em salas inadequadas, tem levado algumas horas.
Há os casos excepcionais, é verdade. Se sua mãe morrer em outro país, você será atendido em uns três dias. Definitivamente, a prestação de serviços públicos não é levada a sério no Brasil.
domingo, 3 de abril de 2011
Taí o mensalão!
Relatório da Polícia Federal, divulgado pela revista Época, e repercutido principalmente pelo jornal O Estado de São Paulo, confirma tudo o que se dizia há seis anos: o Governo Lula estava envolvido, sim, no mensalão, dinheiro administrado pelo empresário Marcos Valério e que era repassado ao PT e a seus aliados. Não há dúvidas, mal-entendidos ou coisa que o valha. Houve, mesmo, um crime de enormes proporções.
Segundo a Polícia Federal,o grosso do dinheiro usado pelo PT e seus comparsas vinha do Fundo Visanet, do Banco do Brasil. Em outras palavras: o governo financiava seus aliados com dinheiro público, incluindo, nesse pacote de maldades, o pagamento de despesas da campanha eleitotral que levou Lula ao Planalto pela primeira vez.
Essa estrondosa realidade não poderá mais ser oculta, disfarçada ou empurrada para debaixo dos tapetes do Alvorada. Com um pouco de sorte - e de dignidade -, o país vai poder se livrar da quadrilha que tudo fez para se eleger e para se manter no poder.
Cadeia neles, sem distinção de cargo.
Segundo a Polícia Federal,o grosso do dinheiro usado pelo PT e seus comparsas vinha do Fundo Visanet, do Banco do Brasil. Em outras palavras: o governo financiava seus aliados com dinheiro público, incluindo, nesse pacote de maldades, o pagamento de despesas da campanha eleitotral que levou Lula ao Planalto pela primeira vez.
Essa estrondosa realidade não poderá mais ser oculta, disfarçada ou empurrada para debaixo dos tapetes do Alvorada. Com um pouco de sorte - e de dignidade -, o país vai poder se livrar da quadrilha que tudo fez para se eleger e para se manter no poder.
Cadeia neles, sem distinção de cargo.
sábado, 2 de abril de 2011
Ibope sem surpresas
Não vejo motivos para surpresa no resultado da última pesquisa do Ibope sobre a popularidade do Governo Dilma, maior do que a do seu antecessor e mentor no mesmo período. Se confrontado com a questão, eu não pensaria duas vezes em apontar vantagem para a atual presidente, muito mais por conta do que ela não fez, do que pelos seus atos.
Só o fato de o país estar livre daquelas aparições diárias nas tevês - no estilo pastor da Igreja do Nunca Antes, banhado em suor e mentiras - dá a Dilma uma folgada dianteira, pelo menos no quesito 'comportamento digno no cargo'. No restante, um quase empate. Afinal, ninguém pode nomear impunemente o senhor Aloísio Mercadante para ministro da Ciência.
Só o fato de o país estar livre daquelas aparições diárias nas tevês - no estilo pastor da Igreja do Nunca Antes, banhado em suor e mentiras - dá a Dilma uma folgada dianteira, pelo menos no quesito 'comportamento digno no cargo'. No restante, um quase empate. Afinal, ninguém pode nomear impunemente o senhor Aloísio Mercadante para ministro da Ciência.
Os barões da Justiça
A reação de alguns juízes à ampliação de seus horários de trabalho para padrões dignos e condizentes com a avalanche de processos pendentes, em todo as as esferas, aponta para os piores vícios do país. Funcionários públicos de elite, formados e treinados para atender à Justiça, ainda tão exclusiva e discriminatória, alegam - cúmulo dos cúmulos - que faz muito calor na parte da tarde, especialmente nos estados do Nordeste.
Certamente suas excelências - que têm direito a dois meses ou mais de férias por ano, disfarçadas sob o nome de 'recesso' - gostariam de aproveitar o sol abundante para uns refrescantes mergulhos nas piscinas de suas mansões (o Judiciário, especialmente na casta de titulares de cortes, está entre os patrões mais camaradas do setor público). Ou - quem sabe? - passeios à beira-mar, com direito a água de coco gelada e, se o mar estiver convidativo, a um mergulho eventual.
Esse péssimo exemplo de desrespeito ao trabalhador comum, que tem uma jornada diária nunca inferior a oito horas, ganha pouco e ainda se aperta em trens, metrô e em ônibus, quase sempre presos em desgastantes engarrafamentos, é um indicador claro da desigualdade que vigora na nossa sociedade, recheada de duques, barões e condes, quase todos encastelados no setor que deveria ser marcado - antes de mais nada - pela dedicação.
Num país em que a Justiça frequentemente é acusada de cordata com os mais aventurados, e de não atender aos reclamos da sociedade - com e sem razão -, uma atitude como essa, que frequenta a manchete dos jornais de repercussão nacional, como O Globo, apenas aprofunda o sentimento de exclusão e revolta.
Vão trabalhar!
Certamente suas excelências - que têm direito a dois meses ou mais de férias por ano, disfarçadas sob o nome de 'recesso' - gostariam de aproveitar o sol abundante para uns refrescantes mergulhos nas piscinas de suas mansões (o Judiciário, especialmente na casta de titulares de cortes, está entre os patrões mais camaradas do setor público). Ou - quem sabe? - passeios à beira-mar, com direito a água de coco gelada e, se o mar estiver convidativo, a um mergulho eventual.
Esse péssimo exemplo de desrespeito ao trabalhador comum, que tem uma jornada diária nunca inferior a oito horas, ganha pouco e ainda se aperta em trens, metrô e em ônibus, quase sempre presos em desgastantes engarrafamentos, é um indicador claro da desigualdade que vigora na nossa sociedade, recheada de duques, barões e condes, quase todos encastelados no setor que deveria ser marcado - antes de mais nada - pela dedicação.
Num país em que a Justiça frequentemente é acusada de cordata com os mais aventurados, e de não atender aos reclamos da sociedade - com e sem razão -, uma atitude como essa, que frequenta a manchete dos jornais de repercussão nacional, como O Globo, apenas aprofunda o sentimento de exclusão e revolta.
Vão trabalhar!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Restaurando a dignidade do debate
Estava faltando. Não falta mais. Como já era esperado, o PT desqualifica o debate sobre racismo e homofobia, aquecido pelas desastrosas, absurdas e repetitivas afirmações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Na tentativa de faturar politicamente uma onda de reações que surgiu naturalmente, o líder do partido do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, atribuiu as sandices de Bolsonaro ao que ele classificou como pensamento de uma corrente ideológica política, na qual - ficou claro - estariam todos os que não são do que se convencionou chamar de esquerda, esse balaio de virtudes que acomoda carinhosamente mensaleiros, cuequeiros e produtores de dossiês falsos, entre outros.
Acho que não contaram ao tal líder governista que Bolsonaro é do Partido Progressista, aliado do seu PT, que, além de apoiar vigorosamente o governo, tem assento no primeiro escalão do Governo Dilma, com o ministro Mário Negromonte(PP da Bahia). A julgar pelo seu raciocínio rasteiro e oportunista, seriam racistas e homofóbicos 90 por cento dos partidos que compuseram o 'frentão' que ajudou a eleger a nova presidente. E, por lógico, seus componentes.
Esse tipo de discurso, absolutamente comum e vazio, é um dos males que assolam o país político e se alastram, comprometendo a dignidade dos debates, reduzindo-os a atos de demagogia explícita, regados a falatórios fáceis.
Bolsonaro não é racista porque é de direita. Ele é de direita, racista e politicamente detestável. Assim como os mensaleiros não são criminosos comuns porque são do PT. Eles são do PT, criminosos e repugnantes.
Acho que não contaram ao tal líder governista que Bolsonaro é do Partido Progressista, aliado do seu PT, que, além de apoiar vigorosamente o governo, tem assento no primeiro escalão do Governo Dilma, com o ministro Mário Negromonte(PP da Bahia). A julgar pelo seu raciocínio rasteiro e oportunista, seriam racistas e homofóbicos 90 por cento dos partidos que compuseram o 'frentão' que ajudou a eleger a nova presidente. E, por lógico, seus componentes.
Esse tipo de discurso, absolutamente comum e vazio, é um dos males que assolam o país político e se alastram, comprometendo a dignidade dos debates, reduzindo-os a atos de demagogia explícita, regados a falatórios fáceis.
Bolsonaro não é racista porque é de direita. Ele é de direita, racista e politicamente detestável. Assim como os mensaleiros não são criminosos comuns porque são do PT. Eles são do PT, criminosos e repugnantes.
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